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Saldos: a primeira vez que comprei tudo, sem consumismos

Saldos: a primeira vez que comprei tudo, sem consumismos

Esta época de saldos, comprei coisas, mas consegui poupar muito dinheiro.

A época dos saldos depois do Natal é sempre um fenómeno interessante.

Depois de gastarmos rios de dinheiro em prendas, aproveitamos os últimos cartuchos do ano para comprarmos prendas para nós, essencialmente roupa, sapatos, malas e tecnologia.

Para quem já anda nestas lides de poupar/gastar nos saldos, já sabe que é preciso fazer uma lista, cumprir um orçamento, ir logo nos primeiros dias, comprar e não pensar mais sobre o assunto.

A verdade é que não sei quem é que está realmente preparado para os saldos.

Vamos sempre com a lista toda apontada, mas acabamos por comprar uma coisa que está na lista. E e o resto é o que veio à rede naquelas tardes (sim, plural, ir uma vez aos saldos e comprar tudo é milagre!) e muitos desses produtos são usados apenas uma vez. Lá está, é a culpa dos preços baixos.

A história da carochinha que todos conhecemos não se passou este ano. Repito, eu NÃO caí nessa armadilha porque tive o enorme orgulho de despachar os meus saldos AINDA EM JANEIRO!

Este ano, comprei tudo o que queria, apenas.

Passo a explicar. Já tinha a minha lista mental e já sabia exactamente que casaco queria, que botas ia comprar, o que precisava mesmo de substituir no meu armário.

Assim logo no dia 26 de dezembro (sim, logo após o Natal), despachei a roupa interior. Dois dias depois, entrei na loja que queria, experimentei o casaco e fiquei 10 minutos na fila à espera de pagar. Na semana seguinte, logo na segunda-feira depois do trabalho, despachei as botas e a compra dos ténis ficou para quarta-feira, em compras online.

Com dias mais ou menos planeados ou totalmente aproveitando a oportunidade de ter tempo, fui direta ao assunto. Não vi as camisolas de gola alta básicas, não pensei nas leggins que queria substituir, não vi mais um casaco de inverno que até dava jeito. Também não peguei num blazer, não vi um par de botas de camurça que estavam a metade do preço.

Este ano, comprei nos saldos e fui menos consumista.

Assim, esta altura de preços baixos foi muito positiva, porque comprei exactamente aquilo que queria. Mentira, comprei uma mala e um par de sapatos a mais, mas estavam realmente a um bom preço e vão durar nos próximos anos. Foi uma oportunidade e assim ficam como substitutos das coisas que utilizo no meu dia-a-dia.

Este ano estou feliz e orgulhosa porque os saldos não foram o pesadelo que são. E acho que apenas são um pesadelo porque as pessoas não percebem realmente que não devem comprar mais do que aquilo que precisam.

Ler mais: A solução para o planeta é consumir menos

Os saldos servem para comprar peças que já usamos. Não para comprar novas coisas.

Servem para actualizar o armário com peças que já utilizamos, mas precisamos de substituir porque já estão gastas. É uma boa altura para investir em peças básicas e por isso versáteis que poderemos usar durante largos anos. É também uma boa oportunidade para investir em peças de qualidade por um preço mais reduzido.

Os saldos são a oportunidade não para fazermos compras, mas sim para fazermos investimentos, no nosso guarda-roupa. Investir nos aparelhos que utilizamos, nas experiências e coisas que nos rodeiam e compõe a nossa vida. Mesmo que tudo esteja mais barato, não é necessário gastar dinheiro. Devemos sempre pensar primeiro em comprar e perceber se realmente aquelas coisas vão fazer diferença na nossa vida. Por isso há que haver estratégia e não consumo por consumo.

Os saldos existem para nos ajudar a ter o que queremos por um preço mais baixo. Por isso nada de desesperar e fazer compras à maluca. Todos os dias temos de consumir, mas quem controla esse consumo somos nós, e não as marcas, as tendências e os “tudo a 10 euros”.

Os saldos regressam no Verão e eu já estou a pensar no que poderei investir para ter mais um verão e um ano com coisas que ajudam a minha existência e o meu trabalho. After all, nós é que usamos a roupa, não é ela que nos usa.