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É para viver com esperança

É para viver com esperança

Recentemente ouvi o que Michelle Obama disse e acreditei que é muito difícil viver com esperança.

Depois das noticias desta semana, comecei a pensar neste tema.

A notícia era sobre Michelle Obama. A ex-primeira dama falou em 2016 na Democratic National Convention e ficou conhecida pela frase: “When they go low, we go high” [tradução livre: quando eles descem baixo, nós subimos”]. Estava-se a referir aos opositores de Hilary Clinton que estava na corrida para a Presidência dos Estados Unidos.

Esta sua frase fez-me pensar de que podemos viver com medo e viver com esperança. Viver em medo é acreditar no real, no possível, no negativo, na dor, na descórdia, na disconfiança. Viver com esperança é acreditar no impossível, na imaginação, no positivo, na satisfação, na comunidade, na bondade, na partilha.

É fácil viver com medo.

É fácil viver em medo, porque todos os seres humanos sabem o que é a dor. Desde a dor física de cortar um dedo, à dor de dar a luz, partir um osso, levar um tiro, ou ter um acidente. Todos sabemos o que é chorar, sentirmo-nos negativos, sentirmos raiva, frustração, desapontamento, medo e terror.

Assim, por oposição, não é fácil viver com esperança. Porque os sonhos parecem que são apenas para alguns. A paz é para os sonhadores, a felicidade é para os ingénuos, a bondade é para quem pode, a satisfação é efémera e o paraíso não existe.

Pensando bem, é mais fácil vendermos o que é real e o que é provável. É sempre provável que vamos sofrer, enfrentar dificuldades, lidar com insatisfações e desastres na nossa vida.

É mais fácil vendê-lo porque é o que se conhece. Podemos ter acabado de comer bem, mas sabemos que há fome. Temos uma casa, mas sabemos que há refugiados e sem abrigos. No inverno, estamos quentes porque temos aquecimento em casa, contudo sabemos o que é passar frio. Quando temos sede, bebemos água e sabemos que há pessoas sem água. Até mesmo quando temos uma dor de cabeça, podemos tomar um benuron. Contudo, sabemos de quem não tem saúde para sobreviver para lá dos 2 anos de idade.

rapariga a segurar o livro da michele obama debaixo do braço
Photo by Alex Nemo Hanse on Unsplash

De facto, não é fácil viver com esperança. Mas é melhor.

Difícil é dar a outra face quando nos querem prejudicar. Ou como arranjamos forças para continuar a acreditar no bom quando há tanto mal.

Não é fácil sermos bons para todos quando eles nos podem fazer mal. Ou acreditar na nossa segurança e saúde absolutas. Não é fácil em qualquer situação ver o copo meio cheio.

No entanto, aprendi com a Sra Obama uma verdade máxima: quando eles vão para baixo, nós vamos para cima. Que temos sempre de viver com esperança.

Quando o mundo parece estar perdido, devemos dar-lhe esperança.

Quando o ódio espalha-se, temos de dar amor. Onde há discórdia, temos de procurar o respeito pelo outro.

Se encontramos a demagogia, temos de procurar a informação. Quando há racismo, temos de procurar o abraço entre culturas e religiões. Ao vermos uma vida de extremos, temos de procurar o equilíbrio.

Quando nos querem calar, temos de falar mais e mais alto ainda. Se parece que caem as trevas, temos de procurar ser o Sol. Nos momentos em que parece que tudo vai correr mal, temos de lutar para que corra bem. Quando uns caem, outros ajudam a levantar-se.

Se há algo que aprendi na vida é que somos mais positivos e optimistas quando estamos em situações de extrema negatividade. Devemos usar a negatividade como um trampolim para a garra, para a força, para a comunidade. Há que ter resiliência e continuar todos os dias. O medo pode-se espalhar facilmente e pode ter muita força. Mas basta uma pequeníssima crença, uma pessoa de esperança, para que o mundo possa começar a andar até ao Sol.

Sou uma eterna optimista, por isso prefiro viver com esperança, sempre.

Como eterna optimista digo que são nos piores momentos que vemos realmente o que é importante na vida: as pessoas, a bondade, o diálogo, o respeito, a comunhão. E por isso se estamos num momento negro, é a oportunidade perfeita para nos relembrarmos que é a união e o acordo que faz a força. A discórdia separa, o diálogo une.

Esta é uma grande oportunidade para sonhar mais. Mas mais que sonhar, é a oportunidade para acreditar mais, trabalhar mais, lutar mais. Viramos isto do avesso e bola para a frente. Se cairmos, recomeçamos, porque a esperança não morre nem desiste. Aqui vamos nós, lutar mais um pouco.