desafio 90 dias fim
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Escrevi 90 artigos em 90 dias. Estas são as lições que aprendi

Comecei e terminei com sucesso a escrita de 90 artigos de blog em 90 dias. Eis o momento de reflexão e as aprendizagens.

Muitas vezes fazemos exercícios de definir objetivos para 2021. Para esse ano, eu não pensei em muita coisa.

Em termos de carreira, queria algo diferente e um novo desafio. Delineei um plano com várias formações que gostaria de fazer e tinha uma biblioteca de livros espetaculares à minha espera. Nos primeiro três meses, li sete livros, uma média muito boa e que reconfirmou o meu gosto pela leitura e o quão importante é na minha vida.

Mas quando comecei o ano não fazia ideia de que iria fazer um desafio destes

O desafio 90 dias foi proposto pelo Tiago Faria, com o objetivo de passar de consumidora de conteúdos para produtora de conteúdos. Ao realizar uma tarefa várias dias seguidos, ganhas um hábito que dificilmente é quebrado. Consegues perceber melhor a tua capacidade de realização e expandir as tuas limitações.

São vários as vantagens que fazer um desafio destes vai trazer à tua vida, como foco e disciplina. E por isso achei que estava na altura de experimentei.

Tinha algum conforto por assim dizer. Já tinha o Erre Grande há cinco anos, tinha um ritmo de escrever um artigo por semana, pelo menos, e quando tinha uma ideia não me era difícil escrever. Por isso, as bases estavam lá.

O verdadeiro desafio era manter as ideias e a consistência para realmente dizer que sobrevivi 3 meses a escrever um artigo por dia.

Os primeiros trinta dias foram de descoberta

Comecei o desafio com um misto de entusiasmo e medo. Já tinha dito que sim e queria mesmo fazer cumprir o objetivo, mas tinha de escrever sobre algo que não escrevia naturalmente.

Se antes todas as semanas alguma ideia iria aparecer para cumprir o calendário de um artigo por semana, desta vez tinha de pensar nos temas para o meu público-alvo. O que queria falar tinha de ser útil e de acordo com temas de marketing digital.

Quando fiz os primeiros trinta dias, entrei logo em modo reflexão e escrevi sobre isso, para não me esquecer.

Confirmei que a inspiração treina-se, que ter um objetivo claro é um excelente motivador e combate a preguiça; e que o segredo é apenas começar. O resto vem por acréscimo. Por isso, continuei a demanda com altos e baixos, até ao fim.

Chegando ao final do desafio 90 dias, o que aprendi?

Desde o início que tinha uma grande motivação para terminar o desafio. Tinha os astros alinhados. Tinha ferramentas de gestão de tempo e um objetivo claro que queria acabar. Não iria falhar, iria-me preparar para garantir que todos os dias tinha esse artigo escrito.

Estar em teletrabalho ajudou imenso a este desafio, confesso. Se tivesse de ir ao escritório todos os dias, não tinha a mesma flexibilidade e, possivelmente, iria acabar por escrever artigos às onze da noite com mais motivação para desistir do que para continuar.

Contudo, terminei com sucesso o desafio. Ao longo do caminho aprendi muito sobre mim e o que quero fazer. E sei que foi uma experiência transformadora: mudou totalmente a minha visão sobre a ação, a escrita, e até a minha própria carreira.

A verdade é que não quero ser paga para escrever

Esta é uma verdade que consegui tornar clara neste exercício todo. Durante algum tempo ainda achei que a minha carreira poderia ser como content writer, na parte de gestão de conteúdo.

Contudo, notei que não quero ser paga para escrever. Não quero viver da escrita ou escrever todos os dias.

Sei que adoro escrever e que é sempre parte da minha vida, mas não como trabalho. Não vejo a escrita dessa forma. Sou egoísta e quero escrever só para mim, as minhas ideias, os meus temas, da minha forma. Para mim escrever não é trabalho, é pura necessidade, como respirar, não uma carreira.

Ou seja, quero escrever sobre algo, mas não usar a escrita como fim. Escrever como meio para falar de uma mensagem.

Assim, sei que vou continuar a escrever. Porque gosto e quero. E ainda tenho desejos de escrever um livro. Mas tirei totalmente da cabeça a ideia de passar os meus dias a escrever para outros e um bocadinho para mim. Não é algo que suporte muito tempo, sinceramente.

Além disso, não quero escrever todos os dias

Um grande insight que obtive foi de não querer escrever todos os dias. Ou melhor, eu consigo fazê-lo, mas prefiro trabalhar de outra forma.

Em termos de escrita, prefiro reservar uma tarde e escrever 3 artigos de seguida, do que escrever um por dia.

Assim, o meu ritmo ideal seria escrever com intervalos de dois dias, para que as ideias florissem. E quando me sento, faço a escrita em bloco. Isto porque quando acabo de escrever um artigo, estou com a mão quente e quero aproveitar a onda.

A verdade é que “continuo” a escrever todos os dias: um e-mail, um post no LinkedIn, uma nova ideia no Evernote. Mas para escrever artigos prefiro fazer uns quantos de uma só vez.

Faz-me mais sentido aproveitar o trabalho que comecei, do que todos os dias parar e só recomeçar no dia seguinte.

Também percebi que não gosto assim tanto de marketing digital

O marketing digital era também uma área que fazia parte da minha vida desde que entrei no mercado de trabalho, há mais de cinco anos. Tinha sempre uma visão inspiradora de trabalhar nesse departamento com um título fancy.

Mas não é bem isso que eu quero. Há bases do marketing que me ajudam muito no meu papel de gestora e de comunicadora. Mas escolher ser especialista em SEO, em WordPress ou redes sociais? Acho que esse comboio já passou.

Agora estou a explorar outros caminhos e tentar seguir o conselho do Tim Ferriss – ser um generalista especializado. Escolher 2 ou 3 competências que combinadas tornam o meu trabalho diferente e único. É esta a mais valia que posso dar.

Assim, o marketing digital pode ser um conhecimento dessas competências – mas não o fim em si.

Ler mais: Queres começar uma carreira em marketing digital? Só tens de fazer isto

Ainda assim, escrevi sobre o tema. Porquê? Para ajudar outros que estão a começar

Os vários conhecimentos que obtive sobre digital foi através deste blog. É o meu laboratório para testar e-mail marketing, estratégia de conteúdos, tráfego para o site, etc.

Além disso, durante anos investi em cursos de marketing digital que muitos desconhecem ou sentem-se confusos por onde começar.

Ao escrever sobre o tema, ajudei pessoas a ter uma melhor ideia da sua presença digital e o que precisam de fazer para terem o alcance que merecem.

Existem demasiados conteúdos sobre marketing digital, mas muitas vezes são técnicos e sem utilizar exemplos concretos. Ao mostrar como se monta uma estratégia de marketing de conteúdo ou a usar os meus próprios artigos como exemplos, estou a dizer que é possível – desde que exista foco e planeamento.

Não trabalho diretamente na área e não é a minha carreira. Mas se posso ajudar outros a perceber melhor o marketing digital porque tenho vários conhecimentos sobre o tema, então vou por aí. Que a minha forma de pensar ajude outros que se sentem sem orientação quando entram no mundo digital.

O desafio 90 dias foi um grande exercício de desenvolvimento pessoal

É quando nos colocam desafios que saímos da zona de conforto e expandimos os nossos limites. Mas tive outra grande lição, que foi o poder da ação.

Estar nesta jornada foi um grande teste à capacidade de foco e de estabelecer prioridades. Entendi os altos e baixos, o genial e o ordinário. Como os dias parecem iguais e assim diferentes.

E claramente o meio é o pior! Os primeiros trinta dias estava entusiasmada, cheia de coisas que ainda tinha para falar. Por volta do dia 45, estás a meio, mas começam as dúvidas. Já custou tanto chegar a meio e ainda assim ainda falta imenso. Como assim gerar mais 45 ideias? Como fazer?

A solução é fazer só mais um dia. Focar no passo seguinte e, parecendo que não, começam a faltar apenas 20, depois 15, depois 10 artigos. Quando cheguei aos 80, estava pronta para outra (riso!).

No final já estava a pensar como aguentava mais um pouco, que afinal foi fácil. Esse é o momento em que te superas e ultrapassas as tormentas. É ir sempre em frente, aos poucos, que começas a ver a meta.

Aprendi também sobre inspiração

Que as ideias, a inspiração e a motivação são processos internos. Elas não aparecem, elas estão lá, têm é de ser ativadas, constantemente.

A jornada também ajudou muito na autoconfiança. Quando terminas um desafio, tens um sentimento de conquista grande, quase como se fosses imparável.

Contudo, fico ainda mais contente porque é o fim de algo, mas não estou perdida. É claramente o princípio de outras coisas, muitas possibilidades.

Essa é a mensagem principal. O desafio obriga-nos a agir, fazer diferente, superar os limites. E é aí que está o crescimento. Só passando pela jornada é que consegues entender os desafios, as limitações, a desmotivação.

Por fim, tudo se aprende com prática

Esta foi talvez a maior lição que tive: a confiança que ganhas quando ages.

Se não tivesse feito este desafio, não tinha melhorado a minha parte estratégicas. Ou saber como ultrapassar desafios. Como fazer as coisas acontecer.

Sou muito orientada para resultados e, por isso, aproveitar a jornada é algo que tenho de aprender. E certamente que este desafio ajudou-te muito. Aprendi a ser focada e ao mesmo tempo a ser flexível. Quando as coisas não correm como planeado, tive de fazer diferente para cumprir o objetivo.

Todo o adjetivo “produtiva” ganhou outra dimensão. Uma dimensão de estar a trabalhar para um fim, e não trabalhar mais porque sim. Acho que as pessoas deveriam ter poucos objetivos e de curto e de longo prazo. Mas isso fica para outro artigo.

O que se segue?

Depois de toda esta tarefa, o que fazes a seguir?

A primeira fase é descanso. Quero muito afastar-me um pouco para ganhar claridade. Parar, pensar, repensar.

Além disso, acho mesmo que isto é o começo de algo. Existem muitas ideias de que direção seguir, e por isso há toda uma nova estratégia a definir. Estou mais pensativa, quero fazer algo e levar até ao fim. Não quero fazer só por fazer, ganhei outro tipo de perspetiva.

E quanto ao blog?

Confesso que não quero escrever todos os dias, mas o blog vai continuar a existir. Aliás, não perdi o hábito, continuo a ter ideias de conteúdo e eles vão aparecer, brevemente.

Quer seja mais profissional ou mais pessoal, continua a ser o meu laboratório e se esse conteúdo ajudar outras pessoas, fico ainda mais contente.

E depois…é pensar no próximo desafio e começar. Vamos a isso?

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