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Book Review: Factfulness

Este livro continua a ser um sucesso de vendas e percebe-se porquê. A sua mensagem é irresistivelmente boa e útil para a vida. Lê a book review do Factfulness.

O Factfulness já estava na minha lista há anos e sempre tinha ouvido falar bem dele. Ao ter recebido como prenda de Natal, li-o em apenas uns dias. Já te explico porque é tão bom.

Ficha técnica

Título: Factfulness: Dez Razões pelas Quais Estamos Errados Acerca do Mundo – e porque as coisas estão melhor do que pensamos

Autor: Hans Rosling, Ola Rosling e Anna Rosling Ronnlund

Ano: 2018

Editora: Temas e Debates – Círculo de Leitores

Resumo

Em pleno 2021, achamos que o mundo está pior do que há umas décadas. Fome, Terrorismo, Pandemia, Crime, Desigualdades e crises económicas e financeiras acabam por dar-nos a ideia de que o mundo é um local periogoso.

Temos essa ideia e sabemos que estamos certos…ou será que estamos? Hans Rosling, professor de Saúde Internacional e com muitas TED Talks dadas, indica que temos uma visão bastante errada do mundo.

Ao perguntar questões sobre a sociedade global – quantas raparigas completam os estudos ou quantos mil milhões de pessoas seremos daqui a décadas – temos piores resultados do que um chimpanzé!

Neste livro de Facfulness, Rosling explica 10 instintos que temos como seres humanos que acabam por distorcer completamente a realidade, quando análises científicas e dados estatísticos mostram-nos o contrário. Esses instintos podem ser, por exemplo, olhar para médias, sem considerar a sua dispersão. Por exemplo, em média, os homens têm melhores pontuações que as mulheres em exames de matemática. Contudo, ao olharmos para os gráficos, notamos que há uma sobreposição clara dos dados. Ou seja, a maioria é uma coisa, mas um a um, eles obtém os mesmos resultados.

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Porque é relevante este livro?

Eu diria que este Factfulness é essencial e urgente porque obriga-nos a fazer algo que não estamos habituados: a pensar.

Primeiro, por vezes, não pensamos o que estamos a dizer e temos visões do mundo baseadas no “diz que disse” e não em factos. O tratamento da pandemia ou de atos eleitorais como as Eleições Presidenciais de 2021 levou a que repetíssemos ideias sem realmente as questionar. Pensar é questionar, por isso este livro ajuda-nos a não dizer coisas da boca para fora e perguntar: “A sério? Pensas isso? O que é que os factos dizem?”

“As coisas podem estar más, mas a melhorar”

Outra séria vantagem deste livro é que permite relativizar os últimos duzentos anos. Sou feminista, quero que as pessoas deixem de ser descriminadas pelo seu sexo, género, orientação sexual etc bem como que haja igualdade de oportunidades. Assim, parece que o mundo está muito pior por ser mulher, o que não é verdade.

Rosling (e outras séries de época) ensina-me que eu sou bastante privilegiada e se tivesse vivido há 200 anos atrás, era pobre, não podia ter opinião de nada e nunca iria comprar uma casa. Hoje, sou uma cidadã igualitária para a lei e para o estado, posso comprar casa, ter um conta bancária, ir votar sem ter autorização de um parente masculino e todas as minhas ações respondo eu , a partir dos meus 18 anos. Tal é uma conquista gigante.

Contudo há aspetos ainda a melhorar na minha sociedade, como haver mais paridade, mais mulheres a liderar e mais educação. Por isso, as coisas podem estar más, mas a melhorar.

Outra história que achei super interessante é quando Rosling conta da sua família

É incrível entender que a Suécia, um dos países nórdicos mais ricos e considerado exemplo de país por todo o mundo, nem sempre foi assim. Em 1800 era igual a qualquer outro país. E que não havia Segurança Social até à Segunda Guerra Mundial. Mostra mesmo que os saltos que a humanidade deu foi há apenas umas dezenas de anos e que houve países que evoluíram mais do que outros. Por isso, é possível ver que as coisas não foram sempre assim e os números contam outra história.

Há coisas que continuam mal? Sim. As coisas melhoraram? Seguramente. É esta a base do progresso humano: reconhecer o que evolui (e é fantástico!) e aquilo que ainda está para melhorar.

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Notas a guardar

À semelhança do Conversas Globais, este foi um livro que quis passar todo a amarelo, pois tem muito boas citações. De facto, criou impacto na minha pessoa. Eu já era analítica, mas comecei a ter uma abordagem clara ao discurso político, social. Se é para debater estas questões, vamos primeiro interpretar os números, enquadra-los nos últimos 50 anos, contextualiza-los em termos mundiais e depois aí sim podemos perceber se somos assim tao maus e de que forma podemos mudar.

Face a este cenário, vou deixar apenas estas:

Sabemos que 800 milhões de pessoas estão a sofrer neste momento. conhecemos também as suas soluções: paz, escolarização cuidados de saúde básicos universais, electricidade, água potável, sanitas, contraceptivos e microcrédito para fazer arrancar as forças do mercado.

“Ser curioso significa estar aberto a nova informação e procurá-la ativamente. Significa aceitar factos que não se encaixam na nossa visão do mundo e tentar compreender as suas implicações. Significa deixar os erros suscitem curiosidade em vez de embaraço.”

“Não nego que existem riscos globais urgentes com os quais temos de lidar. Os cinco que me preocupam mais são os riscos de pandemia global, o colapso financeiro, uma guerra mundial, as alterações climáticas e a pobreza extrema”.

“Testar ideias: não colecionemos apenas exemplos que mostrem como as nossas ideias favoritas são excelentes. Encontremos pessoas que discordem de nós, testemos as nossas ideias e encontraremos os seus pontos fracos.”

“Tal como acontece com a maioria das discussões acerca de setores públicos e privados, a resposta não e uma coisa nem outra. É casuística e inclui ambos. O desafio e encontrar o equilíbrio certo entre regulação e a liberdade.”

“O mundo não pode ser compreendido sem números e não pode ser compreendido só com números. Apreciemos os números por causa daquilo que eles nos dizem acerca de vidas reais.”

“Na verdade, devemos resistir a culpar qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos do que quer que seja. Pois o problema é que quando identificamos o mau da fita, deixamos de pensar. E é quase sempre mais complicado do que isso. Trata-se quase sempre de múltiplas causas interconectadas – um sistema. Se quereremos de facto mudar o mundo, teremos de compreender como funciona de facto e esquecer os murros na mesa.

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