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Aviso para as empresas: não há candidatos perfeitos

Aviso para as empresas: não há candidatos perfeitos

Nos processos de recrutamento, procuram-se os candidatos perfeitos. Mas eles existem?

As entrevistas de emprego são aquele mal necessário: para podermos ter aquele trabalho que desejamos precisamos de passar por esta etapa; para podermos mudar de um trabalho para outro, precisamos de passar por esta etapa.

Por mais anos de experiência que alguém tenha, acho que todos sentimos aquele nervosismo, aquela expectativa, aquela ansiedade. Porque, no fundo, o que queremos é que nos digam que somos o candidato perfeito para aquela vaga.

Mas existe o candidato perfeito?

Primeiro ninguém é perfeito, logo não existe essa ideia de perfeito. Então, existe o candidato ideal? Também penso que não.

Se pensarmos bem, os lugares que são disponibilizados em empresas são feitos para que a necessidade que uma empresa tenha seja satisfeita. Assim, procura-se um profissional competente para desempenhar determinado papel que ajude no funcionamento normal da empresa.

Por isso, colocam-se anúncios a especificar o papel da vaga e o perfil pretendido do candidato. E é aqui que realmente as coisas ficam um pouco estranhas.

As vagas de emprego procuram candidatos perfeitos, mas irreais.

Porque é que é determinante que determinado papel seja exercido por alguém que tenha uma licenciatura em determinada área? Que tenha anos e anos de experiência e com preferência naquele ramo? E o seu nível de línguas tem de ser avançado? E já agora, se possível, pode também saber programação e edição de imagem.

Isto acontece mais frequentemente para lugares em que realmente são necessárias skills técnicas. Mas e se não for realmente necessário essas skills? Será que há realmente um candidato único, perfeito e especial para desempenhar aquelas funções?

Ou será que há vários candidatos que têm todas as ferramentas necessárias e a atitude certa para ir desenvolvendo determinadas capacidades que ajudarão as necessidades das empresas a curto, médio e longo prazo?

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De fato, não existem candidatos perfeitos, mas sim candidatos potenciais.

duas raparigas a trabalhar à frente do computador
Photo by KOBU Agency on Unsplash

Pessoas que têm uma base de skills necessárias para desempenhar aquela vaga e que também tenha a potencialidade de evoluir. Nas próprias empresas, não existem perfis perfeitos à entrada. Os colaboradores é que se foram tornando perfeitos com o seu envolvimento nas atividades diárias.

Há sempre que haver um período de inclusão de adaptação ao trabalho, à empresa, aos serviços, ao mercado ao nosso novo papel, as rotinas, as pessoas, a missão, aos objectivos, ao enquadramento na nossa carreira. Por isso o que as empresas procuram é de perfis que estão de acordo com os valores da empresa e que possivelmente se vão dar bem naquele ambiente e dar valor acrescentado a empresa.

Para mim, não há candidatos perfeitos. Eles tornam-se perfeitos e bons colaboradores quando há uma motivação para ser incluído. Se há uma chefia preparada para formar a pessoa e ajudá-la no processo de inclusão, então ela pode-se tornar num excelente colaborador.

O melhor candidato pode entrar numa altura que não potencia as suas capacidades na totalidade e se calhar não seria tão perfeito assim quanto se pensava. Já notaram que não há candidatos que entram em empresas e passado uma semana já estão bem colocados? Há sempre um investimento inicial, das duas partes.

Por isso, caras empresas, não procurem candidatos perfeitos.

Procurem, sim, pessoas motivadas a aprender, capacitadas de adaptar-se às circunstâncias e que transmitam os valores e objetivos da vossa empresa.

E sim, ele pode ser um licenciado que não tem experiência nenhuma e se calhar vão ter de gastar mais um par de meses na formação dele. Mas talvez valerá mais a pena fazer esse investimento porque ele vai ocorrer de qualquer maneira. Em processos de recrutamento, tenham uma certeza razoável de que a pessoa que escolheram vai caminhar convosco no caminho certo. Sem esse apoio, de nada vale se tem um MBA e ou se andou em Harvard um semestre.

E sim, ele pode ser um licenciado que não tem experiência e nenhuma e se calhar vão ter de gastar mais um par de meses na formação dele quando já queriam alguém que já sabe fazer tudo – mas talvez valerá mais a pena fazer esse investimento porque ele vai ocorrer de qualquer maneira, apenas tenham uma certeza razoável de que a pessoa que escolheram vai caminhar convosco no caminho certo, com a ambição certa, ao vosso lado. Sem esse apoio, de nada vale se tem um MBA e ou se andou em Harvard um semestre!