rapariga de cabelo azul a sorrir

5 dicas para lidar com Millennials no escritório

Os Millennial são isto e aquilo, é algo que se ouve nos escritórios. Deixo-te 6 conselhos para lidar com Millennials no trabalho.

Questões sobre qual a melhor geração à parte, há muito que se fala de como os Millennials são «diferentes» no escritório.

Pelo menos, tenho sentido isso nos últimos anos no mercado de trabalho. Notam pela minha idade que tenho outros comportamentos, novos para muitos, e que acabam por deixar as chefias a pensar qual a melhor forma de liderar as pessoas como eu.

De facto, os Millennials têm hábitos diferentes de outras gerações.

Os Millennials apreciam mais a flexibilidade de horários ou a usabilidade das redes sociais e de apps para tudo.

Contudo, no escritório, pode ser desafiante lidar com uma geração que vê o trabalho não como as horas trabalhadas, mas sim os resultados produzidos. O cumprir horário é algo que lhes faz confusão e não percebem porque têm de fazer coisas só porque sim.

Estas atitude mais rebeldes podem levar a que se perceba que os Millennials são preguiçosos, arrogantes e caprichosos nas suas escolhas de trabalho. Tal como referi neste artigo, os Millennials não trabalham apenas porque a missão da empresa é importante. Há estabilidade financeira e progressão de carreira que devem ter em conta.

Para não criar mais mitos ou até mesmo para ajudar as empresas, posso deixar a minha visão e experiência.

Assim, partilho 5 dicas que gestores podem utilizar para ter uma melhor relação de liderança com os seus colaboradores Millennials

Dar feedback positivo e negativo

Sim, é verdade. Os Millennials adoram feedback. Pois só o feedback pode dizer se estamos de facto a corresponder às expectativas.

Dizer se está bem é importante, tal como dizer o que melhor também é. O feedback negativo tem também de ser dado, para que haja melhoria. Essa é a chave para um melhor profissional, independentemente da sua idade.

Há assim que ter em atenção como é que o feedback negativo é dado. Dar feedback negativo não é ser condescendente ou paternalista. Afinal, se estamos a trabalhar somos adultos e devemos ser tratados como tal. Por isso na altura de dar feedback falem como se falassem com um adulto: com respeito e com direito a conversarem, sempre procurando o entendimento.

Comunicar sempre e muito!

Vai muito ao encontro do aspecto de feedback. Numa era de constante mudança, muitos profissionais podem-se sentir perdidos quando não há um rumo bem definido. Com o imediatismo de novidades, os Millennials gostam de saber de tudo em primeira mão. A comunicação entre equipas é importante para poderem fazer crescer as suas ideias.

As carreiras lineares já não fazem sentido e a multiplicidade de skills que gostam de aprender faz com que sejam por natureza muito curiosos com outras áreas.

A comunicação é um reforço positivo e é uma maneira de envolver os Millennials no projeto da empresa. Esse envolvimento vai trazer melhores resultados.

Fazer perguntas para puxar pela iniciativa

Como são curiosos, os Millennials parecem crianças quando se trata de saber as coisas. Fazem perguntas porque querem perceber o status quo. São fruto de uma geração que viu a mudança nas relações sociais, nos empregos, na usabilidade da tecnologia, estão habituados à mudança. Assim, quando as coisas não mudam, ficam confusos e querem perceber porquê.

Fazer perguntas aos Millennials pode ser uma ferramenta para os envolver mais na empresa. Mostrar que a sua pequena experiência consegue formar opiniões interessantes pode ser um passo que os líderes podem fazer para melhorar estas relações laborais.

Devem estar claros quais os limites da hierarquia, mas como são os jovens são sempre o futuro, perguntar-lhes a sua opinião pode trazer insights relevantes para o futuro do negócio.

Valorizar o esforço e know-how tecnológico

Notei isto durante o meu percurso profissional. O meu à-vontade com as tecnologias era visto como uma ameaça, do que propriamente uma mais-valia para as equipas. As gerações mais velhas podem ver a geração tecnológica com estranheza, pois não compreendem o seu entendimento fácil de como ela funciona. Contudo, há que perceber que quem cresceu com tecnologia, é normal que saiba lidar com ela. Tal como jovens mais novos que eu têm outro tipo de relação com a tecnologia que eu não tive.

Em vez de serem vistos como «as crianças que não largam o smartphone ou as redes sociais», vejam que o mundo está mesmo assim. Vejam os Millennials como profissionais que sabem trabalhar com tecnologia. E que se a tecnologia é futuro, as suas skills de lidar com ela são muito valiosas e não propriamente uma ameaça.

O facto de estarmos sempre ligados faz parte do ADN, mas se realmente quisermos desligar, desligamos mesmo (basta um chefe idiota mandar-nos de férias que até deixamos o e-mail na gaveta).

Work-life integration

Aprendi este conceito com o professor da NOVA SBE, Nadim Habib. Não estamos a caminhar para um equilíbrio entre vida familiar e vida profissional, mas sim uma integração. Nas 24 horas do dia, não existe uma separação entre as duas. Existe sim uma integração.

Os Millennial percebem isso. Com a tecnologia a tornar o trabalho acessível a toda a hora em qualquer local, o truque está em saber ter momentos de trabalho e momentos de lazer. Não pode haver 9-to-5 trabalho e o resto lazer, quando no trabalho não existe coisas para produzir.

Fala-se assim de Integração Trabalho-Vida. É possível ir trabalhar de manhã pelas 9h e nesse dia levar o filho ao médico pelas 16h. No dia seguinte é possível ficar às 9h e sair apenas às 19h. E noutro dia é possível trabalhar a partir de casa e completar tarefas até as 22h, pois o dia foi distribuído entre tarefas de casa, desporto e tempo com a família.

É neste paradigma que os Millennials pensam, bastante influenciado por uma geração de Erasmus, trabalho remoto, gap year, carreiras não lineares, renovação de skills ao longo da vida, bootcamps de desenvolvimento pessoal e profissional. O trabalho não pára depois das 18h nem a vida começa apenas do trabalho. Há um contínuo que deve ser vivido ao máximo dentro das suas capacidades.

Assim, é natural que a flexibilidade de horários e de localização sejam um dos benefícios mais pedidos por Millennials. Claro que os filhos de uma crise financeira e de estágios precários não se esquece que o salário é uma componente muito forte de uma proposta de emprego. No entanto, num novo paradigma social e profissional, estar confinado a um escritório por x horas é algo que não se combina com este estilo de vida. 

Estes são 5 pontos que deve ter em conta quando lidar com um Millennial no local de trabalho. Contudo, não é de todo surpresa que haja pessoas jovens que não querem nada disto e há pessoas com mais de 50 anos que querem flexibilidade de horários ou muito feedback. Nos negócios, qualquer cargo tem como parte mais desafiante gerir pessoas. Assim há que compreender as mudanças da sociedade, o que as novas gerações querem, o que as outras gerações querem manter e procurar um equilíbrio que também seja adaptado ao futuro. Pois sem futuro, nem o talento vale à sua empresa.