menina a ler no banco de jardim

Para que serve o desenvolvimento pessoal, afinal?

Falar de desenvolvimento pessoal está na moda, mas há que compreender realmente como é útil para as pessoas.

O desenvolvimento pessoal faz parte deste blog e da minha vida. Nesta área quase apelidado de «auto-ajuda», já li vários livros sobre temáticas mais ligadas à carreira, como produtividade, start-ups, pensamento criativo.

Cada vez mais aparecem gurus do desenvolvimento pessoal a dizer as mesmas coisas.

É só pegar num deles e percebemos que dizem as mesmas coisas: pensa positivo, programa a tua mente, escolhe bem os teus amigos, lê muito, torna-te rico em apenas três meses.

Nestas afirmações, há coisas que de facto são úteis (tirando a última parte, ninguém se torna rico em três meses através de um processo repetível para todos). Mas para os mais cépticos, pode parecer um discurso muito optimista dado por pessoas que estão «do outro lado».

É fácil para um empresário que tem um boa empresa falar para outro que está apenas a começar que basta acreditar que vai tudo correr bem. É fácil falar, mas fazer é diferente.

Para quem está de fora, parece que as desigualdades sociais são ignorados por estes gurus. De facto, estes aspectos não deixam de ser tidos em conta, mas falo pela minha experiência: desenvolver-me pessoalmente mudou radicalmente a minha vida. Mas apenas porque EU fiz alguma coisa com esse conhecimento.

E é por isso mesmo que o desenvolvimento pessoal tem resultados: porque fazer traz resultados.

O desenvolvimento pessoal serve apenas para carregarmos o cérebro de informação que tem de ser aplicada na vida real. O desenvolvimento pessoal não nos vale de nada se não for testado.

O desenvolvimento pessoal, as ferramentas que adquirimos, os conhecimentos que tanto aprendemos só funcionam quando são aplicados.

Por exemplo, quando se fala de produtividade, fala-se em gestão de tempo. Na gestão do tempo, as dicas podem passar por fazer uma lista de tarefas e preparar a semana seguinte. De facto, estas técnicas funcionam, se as colocarmos em prática. Se nunca fizeste ou não tens uma lista de tarefas, e regulas o teu dia de trabalho por e-mail, talvez não vás notar diferenças no teu trabalho. Porque nunca tentaste!

Insanidade é fazer a mesma coisa sempre e esperar diferentes resultados. – Albert Einstein

O desenvolvimento pessoal aparece como a resposta à definição de insanidade do Einstein. Se tens um dia de trabalho muito stressado porque sentes que não és organizado, então experimenta ser organizado para ver se o stress diminuí.

O desenvolvimento pessoal pode ser uma ferramenta para melhorar o trabalho, o estilo de vida, a dieta, o corpo, a mente, o espírito, as relações afectivas. Tal como qualquer outro problema, há que identificá-lo e experimentar uma solução. Para os «problemas da vida» o desenvolvimento pessoal dá ferramentas para encontrar essas soluções – mas há que experimentá-las!

Quando não se age, o desenvolvimento pessoal é como qualquer outra ferramenta não utilizada: não tem utilidade e nunca saberás se é boa ou má.

Quando lemos muito e sabemos que achamos muito, mas não agimos, os resultados não aparecem. Aí diz-se que o desenvolvimento pessoal é uma farsa. São conselhos que nada valem a pena. Quando se age e temos resultados, o desenvolvimento pessoal é a salvação das nossas vidas.

Assim, o desenvolvimento pessoal serve para encontrarmos respostas a perguntas que colocamos sobre a nossa vida e nós próprios. A importância de fazer as questões certas é fundamental. O nosso pensamento crítico e uma mente mais clara só é possível de alcançar com «processos de cebola», em que vamos tirando camada após camada as nossas respostas seguras e os nossos medos, para chegar aos verdadeiros motivos das ações.

E quando chegamos lá, o que queremos fazer? Mudar de vida. Meter o pé no travão. Fazer a mala. Partir. Pedir desculpa. Recomeçar. E todo e qualquer comportamento implica apenas uma palavra: acção.

No fundo, o que devemos pensar realmente é que o desenvolvimento pessoal melhora as nossas vidas porque dá-nos ferramentas para agir.

Fala-se bastante do mindset e esta é uma componente que não devemos descurar de todo. A maneira como pensamos e vemos o mundo influencia totalmente as nossas ações e comportamentos. São os juízos de valor que nos fazem ser empáticos ou menos simpáticos, que nos fazem confiar ou desconfiar de alguém. Contudo, o mindset é apenas uma parte da equação – falta assim o agir.

Toda a nossa vida, todo e qualquer detalhe, só pode ser mudado com ação.

O emprego de sonho acontece quando agimos, fazemos alguma coisa por ele. A casa que desejamos só pode ser construída por nós. As relações com o outro são alimentadas quando falamos e mostramos gestos de afecto. Não é simplesmente por existirem que fazem a nossa vida melhor. É a nossa ação na vida que torna a vida feliz.

Assim, respondendo à pergunta, o desenvolvimento pessoal serve para sermos felizes. Porque quando queremos perceber o impacto que temos na nossa própria vida, começamos a questionar. Fazemos perguntas. Confrontamos medos. Chegamos a conclusões. Decidimos mudar. Damos um passo em frente e agimos. E quando agimos e as coisas ficam melhores, então o desenvolvimento pessoal valeu a pena.

O Fred Canto e Castro, empresário e speaker de desenvolvimento pessoal, num post no seu Linkedin, resume bem esta ideia:

Já deste por ti a fazer isto?

Quando entramos no mundo do desenvolvimento pessoal, somos inundados com informação.

Existem milhares de livros, seminários e programas. Como não queres perder nada, acabas por tentar adquirir toda esta informação de uma só vez.

Isto aconteceu comigo e é aqui que acredito que todos podemos melhorar.

Enquanto tentamos extrair toda esta informação, não estamos a aplicar.

E se nunca aplicamos, esse conhecimento vai ser facilmente esquecido.

Acredito que é melhor aprender com calma, aplicar e apreender essas lições.

Já dizia Bruce Lee: “Não temo o homem que treinou 10.000 pontapés diferentes, temo sim o homem que treinou o mesmo pontapé 10.000 vezes.”