Que curso tiras quando queres aprender a «escrever»?

Para quem gosta de escrever, que curso é que pode tirar? Podemos ser todos os jornalistas? Depende do que é «escrever» para ti.

Já ando a pensar muita coisa sobre escrita e como as pessoas têm uma visão muito segmentada sobre o assunto. Há umas semanas tive mais uma conversa que me despertou para o tema.

Tenho de agradecer a uma colega de trabalho, a SR, por me ter feito a pergunta:
– Rita, tu tiraste comunicação? – Tirei jornalismo – estava aqui a falar com as minhas amigas, a ‘discutirmos’ o que é que se tira quando queres ‘escrever’.

A minha resposta foi simplesmente «depende do que tu achas que é escrever».

Este foi o pensamento que vivi quando era criança. Na adolescência, quando nos perguntavam o que queríamos fazer nada vida, dizia que queria ser jornalista porque gostava de escrever. É a lógica simples que transmitimos às crianças. Se gostas de animais, vais ser veterinário. Se gostas de matemática, podes ser engenheiro. Se gostas de desenhar, podes ser arquitecto.

Com a escrita passa-se o mesmo. Contudo, a escrita é muito mais do que só ser jornalista.

Para saberes que curso deves tirar para saber «escrever» tens de saber que tipo de descrita queres escrever.

A verdade é que escrever é comunicar. E comunicar implica um contexto e um objetivo. Se tu queres pedir um café, estás a comunicar. Se tu vais enviar um e-mail, estás a comunicar. Se tu mandas uma SMS à tua amiga, estás a comunicar. Contudo, a forma como escreves um e-mail é diferente de como escreves para mandar uma SMS.

Usas a mesma língua e as mesmas regras gramaticais, mas usas palavras diferentes, porque tens objetivos diferentes.

Na escrita dita profissional, para escreveres bem, tens de saber no que queres escrever bem. Assim, deves perceber que tipo de escrita queres melhorar.

Se queres escrever de forma mais criativa, possivelmente um curso de publicidade é melhor.

Se queres escrever conteúdos para a web, poderás ser content writer. Se queres melhorar as tuas comunicações de marcas a media e exterior, possivelmente o curso de Relações Públicas vai-te ajudar certamente. Se queres escrever por escrever, a escrita criativa pode ser uma melhor hipótese.

No fundo, escrever bem é saber escrever para o objetivo e contextos definidos. Eu posso ser óptima a escrever romances, mas uma nódoa a escrever uma frase criativa de publicidade. Não invalida que escreva mal, simplesmente não sei escrever para publicidade. E sei escrever e usar a língua portuguesa para determinado propósito.

Isto faz-me lembrar um grave problema que temos na comunicação: não sabemos como comunicar uns com os outros, nas relações pessoais e profissionais.

Surge-nos esta necessidade de saber escrever porque todos estudamos Português, mas não nos ensinam a escrever. Não nos ensinam a dominar a língua e tal revela-se na necessidade das pessoas saberem escrever melhor.

Falar sobre modos verbais e falar sobre obras da literatura portuguesa é importante para desenvolver o raciocínio lógico. Contudo, esquecemo-nos que a língua serve para comunicar com os outros, interpretar os significados das mensagens e adequar a comunicação ao contexto e interlocutor.

Esta sim é a verdadeira «falha» que as pessoas querem preencher quando dizem que querem «escrever melhor». Escrever melhor sem dar erros gramaticais, escrever melhor para escolher as palavras certas, escrever com mais naturalidade. No fundo, o que as pessoas querem é ter ferramentas para comunicar eficazmente as suas ideias, opiniões e decisões.

Sem comunicação, não conseguimos viver e é cada vez mais necessário saber como fazê-lo. Assim, escrever bem é como saber comunicar com todos. A escrita primeiro tem de ser gramaticalmente correta e depois podemos evoluir, consoante os contextos profissionais e pessoais que formos vivendo.

Assim, o melhor curso para escrever bem é comunicar com os outros, praticar muito e aprender todos os dias.