Como escolher uma formação profissional para melhorar a carreira

Estás pronto para dar um salto na tua carreira e queres fazer uma formação adequada? Segue estas quatro dicas para poderes escolher o melhor curso para ti.

Uma das formas mais simples de avançar na carreira é de adquirir novas competências. Ter mais skills ajuda a enriquecer o perfil, a acrescentar valor em várias áreas e a crescer no desenvolvimento pessoal.

Fazer formação é sempre bom para o profissional

Investir em cursos é um caminho para poder potenciar essas mesmas competências. Já falei aqui anteriormente sobre como escolher cursos online, mas estes podem não ser a solução mais indicada.

Acredito que existem várias opções de estudo que são alternativas às universidades. Primeiro, é necessário perceber o que se quer estudar e para que se quer estudar, pois é esse objetivo que vai determinar que tipo de curso que queremos fazer.

Contudo, como é que eu posso realmente escolher o melhor curso, em termos de investimento e conhecimento?

Deixo assim as minhas 7 dicas para escolheres o melhor curso.

Identifica os recursos presenciais que tens

Anteriormente falei dos cursos online como uma simples de começar a adquirir skills numa determinada área. Contudo, não deves descurar os cursos presenciais na tua zona de residência e/ou local de trabalho.

Utilizo a seguinte estratégia: faço cursos online para absorver informação e faço cursos presenciais para poder aplicar uma competência. A vantagem dos cursos presenciais é que contamos com um formador para responder às nossas questões e temos interação com outras pessoas. Os exercícios durante a sessão e a troca de impressões ajuda-nos a ter feedback na hora e de podermos esclarecer mais dúvidas com alguém que tem a competência que nós temos.

Complementa com os recursos online

Os recursos online podem ser usados como forma de complemento e em qualquer fase do estudo. Se não sabes nada da área, podes começar com um curso online grátis e de pouca duração. Enquanto estás a estudar essa competência, podes consultar mais recursos online para obteres mais informação ou mais exercícios. No fim de qualquer curso, podes ainda fazer outro curso online mais especializado.

No fundo, utilizo as ferramentas online para estar em permanente contacto com o tema e para o explorar semana após semana. Muitos cursos são unidirecionais, mas outros também permitem a interação com o formador, pelo que pode ser uma maneira de continuar os estudos por um custo inferior ou quando temos menos disponibilidade física.

Ler mais: 7 Dicas para Fazer Um Curso Online

Calcula o teu investimento

Sempre que penso que fazer um curso e não é gratuito, tenho de avaliar o meu investimento.

A primeira coisa que faço é calcular o valor/hora. Pode ser redutor este dado, mas é importante para perceber se o curso pode estar a ser sobrevalorizado.

Já deves ter visto que há cursos de um dia (por exemplo sábado), duram oito horas e custam 160€. No fundo, estás a pagar 20€ à hora para pagar o espaço e ao formador. Assim, o formador irá ganhar menos de 20€ por cada hora que te dá.

Se for um curso de maior duração (20 horas por exemplo) os valores já são difíceis de tabular, pois tens de incluir se a competência que é dada é mais técnica, mais difícil e também mais procurada.

Um curso acima dos 1000 euros pode fazer sentido se for mais de 100 horas e ter uma componente prática forte, uma vez que te poderá ajudar nas tarefas do dia-a-dia. Contudo, se for um curso de 50h, já terás de perceber se cada hora do curso vai valer a pena.

Calcula o teu investimento não só em dinheiro, mas também em tempo. A altura do ano pode influenciar o teu desempenho de aprendizagem, pelo que deves escolher uma boa altura para te dedicares e teres o melhor. Eu estive anos para fazer a Formação Inicial de Formadores e só a realizei o ano passado quando tinha as condições económicas e laborais para o fazer e fez toda a diferença na minha disponibilidade de aprender e aplicar os conhecimentos.

Gerir as expectativas

A tua maneira de investir vai depender do teu capital disponível, mas este deve ser ajustado aos teus objetivos.

No fundo, o teu investimento vai ser melhor ou pior consoante as tuas expectativas. Se vais a um filme e esperas rir às gargalhadas e não te ris, achas que o filme não presta e que gastaste dinheiro à toa. O filme pode não ser mau, simplesmente não valia o investimento que fizeste.

O mesmo se passa num curso. Podes investir milhares de euros num curso que pode mudar a tua carreira para melhor ou fazer um curso de cem euros que pode ter o mesmo efeito – vai depender muito do que procuras e esperas.

Gerir as expectativas ajuda também a calcular o investimento de dinheiro e de tempo. A melhor escolha tem de estar relacionada com o teu esforço, para não ser em vão. Este vai variar consoante o teu momento de carreira.

Se conheces a área, e queres utilizá-la profissionalmente, tenta encontrar um curso com bons conhecimentos técnicos e uma estrutura prática. O valor do curso pode ficar entre os 100 e os 1000€ e os valores superiores podem justificar-se pela componente prática que podes querer aplicar rapidamente.

Se queres mudar de área, um curso integral de maior duração poderá implicar um investimento mais avultado, mas pode compensar como bilhete de entrada para a indústria.  

Se ainda não sabes em que investir ou de que forma um curso pode ser útil, recomendo comprares um livro sobre um assunto ou fazer cursos online gratuitos para perceber de que forma te podem ajudar nas tuas funções atuais. O baixo investimento vai-te permitir perceber como navegar no sector e terás uma melhor ideia qual a especialização que gostarias de fazer.

O importante é gerires este trinómio: o teu objetivo, o teu investimento e a tua expectativa.

Conhece o formador

A seguir ao preço, a segunda coisa que noto é no nome do formador. Posso também olhar para a instituição, no entanto olho mais para o formador, já que os profissionais podem dar formações em diferentes instituições e a sua reputação e bom feedback serem unânimes.

Leio o seu historial, vejo a experiência que tem e qual o cargo atual. Se for um formador que trabalha numa empresa com a função com competência que queres adquirir, é uma boa aposta, pois é uma pessoa que te mostrará quais os desafios que irás ter no mercado de trabalho.

Podes pesquisar estas informações no Linkedin e pedir recomendações de amigos. Por vezes, arrisco-me a ouvir palestras ou a fazer cursos de determinada pessoa pois sei que outras pessoas aprenderam com ele. No fundo, seguimos muito mais os profissionais do que as escolas.

Percebe se a certificação é uma mais valia

Longe vai o tempo em que o canudo fazia a diferença. Há cursos profissionais que te passam bons conhecimentos e que o certificado da DGERT pode não significar nada para o empregador. Informa-te se uma certificação de determinada competência é bem vista na indústria. No mercado do Marketing Digital, por exemplo, ter uma Certificação da Google é uma mais valia, pela entidade que é e pelos conhecimentos que transmite. Na área de programação, é também relevante fazer alguns cursos de prática e há certificações que permitem profissionais darem o passo seguinte na sua carreira, para novas funções e remunerações.

Obtém recomendações (e sabe como filtrar)

Obter recomendações é importante pois assim consegues perceber qual o feedback de determinado curso.

Ainda assim, as recomendações são muito pessoais e dependem dos objetivos da pessoa e da sua experiência. Por vezes, ouvimos dizer que alguém gastou centenas de euros num curso que era demasiado básico e que não valia a pena. Será que o curso era mau ou as expectativas estavam desalinhadas com a realidade? Será que um curso básico sobre costura pode ser bom para uma costureira com 10 anos de experiência? Possivelmente não.

Para perceber o feedback de alguém pergunta-lhe qual o seu background, o que ela esperava aprender, o que fez no curso, onde aplicou os conhecimentos. Assim, verás como o seu feedback é contextualizado e, se a pessoa tiver as mesmas ideias que tu, podes ter uma opinião de que determinado investimento pode ser bom ou não para ti.

Resumindo, escolher a melhor formação profissional pressupõe um trabalho interno e um trabalho externo.

Deves primeiro ver o que queres e pretendes de uma formação e perceber que esta é uma ferramenta que terás de trabalhar para chegar aos teus objetivos. Quando souberes esses dados, procura no mercado online e offline e compara as várias soluções, consoante a disponibilidade em valor e em tempo.

Escolher uma formação pode ser uma decisão que muda a tua vida e deve ser encarada como uma progressão constante.

Irás assim realizar várias formações de diferentes formas e que te acrescentem valores distintos consoante a altura da tua carreira. O crescimento profissional é contínuo e dura para o resto da vida, por isso escolhe sempre de forma estratégica o que faz mais sentido para ti!