Deves ser uma profissional multi-tudo ou uma especialista?

Devemos ser especialistas ou saber um pouco de tudo? O mercado de trabalho pode dar-te uma melhor resposta.

Esta é daquelas perguntas que não sabemos bem se poderá haver resposta correcta, mas penso que o mercado de trabalho tem nos dados algumas luzes sobre o tema.

Devemos ser multi-tudo ou especialistas? Pois, essa é a questão.

O meu pensamento com esta pergunta remota aos tempos de faculdade. Quando estava a estudar Jornalismo, pedia-se que o jornalista que soubesse fazer tudo: escrever, editar video, gravar para a rádio, trabalhar com som.

Eram o que os tempos de mudança pediam, pois já não haveria jornalistas especialistas (ou dinheiro para pagar a dois profissionais quando um poderia fazer o trabalho!).

Claro que tínhamos especializações de temas na faculdade (eu escolhi Jornalismo de Imprensa e de TV, por exemplo) e tal poderia ter determinado o meu percurso. Mas passava-se sempre a mesma ideia: para sobreviver no atual mercado de trabalho competitivo, não podemos ter só uma competência, pelo que temos de saber fazer um bocadinho de tudo.

Foi, de facto, o primeiro impacto que tive quando fui para o mercado de trabalho, em pleno ano de crise.

A oferta era escassa e com poucas condições e a procura era imensa, pelo que qualquer recurso contratado tinha de ser uma grande mais valia. Assim, começaram a aparecer os anúncios que queriam recém licenciados com experiência em escrita, gestão de redes sociais, edição de vídeo, conhecimentos de Photoshop e alguma proficiência em Inglês e Espanhol.

No fundo, queriam um recurso que desse o maior dos seus conhecimentos no mais competitivo dos mercados (o da escassez). Assim, era possível encontrar pessoas que pudessem dar uns toques aqui e ali e o trabalho aparecia feito.

Contudo, foi essa mesma era digital que me mostrou que existe uma maior escassez a ser suprimida – a dos especialistas.

Quando se fala de competitividade, já não podemos falar apenas no cenário nacional. Independentemente do ritmo da nossa economia, vamos ter de acompanhar tendências globais e muitas empresas reconheceram que, para serem players, tinham de ter outros conhecimentos para além da base.

Os multi-tudo tinham sido úteis no período da crise, mas para dar o salto, era necessário profissionais que dominassem bem as suas vertentes.

Cada vez mais notamos pelos anúncios de recrutamento que procuram-se pessoas com skills específicas, que muitas vezes não se encontram nos programas curriculares das licenciaturas.

Consigo dar o exemplo da área do marketing digital, que tem tido uma evolução interessante nos últimos anos.

Em 2013 fiz um curso de Web Marketing e aprendi a fazer coisas que na altura muitos cursos não ensinavam, como fazer Facebook Ads ou Google Adwords com keywords negativas. Foi conhecimento que nunca cheguei a aplicar, pois as próprias empresas que procuravam pessoas com estas skills não tinham estratégias de marketing para seguir ou implementar.

Ninguém sabia bem como se fazia, portanto não haveria como perceber onde crescer ou dar indicações como crescer.

Nos últimos anos, vemos que o Marketing Digital é uma área de sucesso que criou novas funções quase infinitas. A maioria das pessoas já percebia o potencial da Internet e isso foi visto na contratação de ativos que já tinham formações ou experiência nesta mesma área. Num mercado mais atento ao digital, já era possível procurar pessoas especialistas nisto.

Foi esta evolução que permitiu criar departamentos mais especializados num só tipo de marketing. E tal pediu especialistas diferentes em áreas de marketing digital.

Como já existem departamentos e managers exclusivos para marketing digital, já não é possível pedir alguém que «mexa no Facebook e ponha lá uns posts». O mercado já evoluiu e já fez a sua prova que as empresas percebem as vantagens de ter um especialista. Já há empresas que pedem pessoas especialistas em angariar leads; ou escrever conteúdos para posicionar organicamente no Google; copywriters para despertar o click no Facebook; designers de comunicação que façam conteúdo visual para converter.

Este novo panorama mostrou-me que o multi-tudo não é um perfil de profissional per se, mas sim uma base para a evolução de um perfil de especialista.

Faz sentido perceber como é que o Marketing funciona, como o Marketing Digital funciona antes de ser SEO Specialist. Faz sentido na área da programação perceber linguagens básicas e perceber a estrutura de objetos programáveis antes de escolher ser Android Apps Developer. A especialização é sem dúvida um caminho que traz mais frutos numa carreira, mas pode e deve começar num panorama multi-tudo.

Assim, devemos ser especialistas em alguma coisa e manter os horizontes de como o mercado está a mudar.

Há assim que ter uma visão multi-tudo do sector em que trabalhamos (ou do sector que queremos vir a trabalhar). Há que estar atento à evolução e às tendências para construirmos a nossa carreira. Há que desenvolver a formação contínua para sermos especialistas que dominam o seu trabalho, e que também percebem para onde este vai evoluir.

Podes ter medo de te especializares em algo, investires nesse caminho e depois arrependeres-te. Sentes que o investimento foi em vão.

O conselho que te posso dar é que primeiro sejas um multi-tudo – descobre o teu sector, o teu departamento e a tua função ao máximo.

Descobre todas as operações que dependem de ti, que influenciam o teu trabalho. Percebe quais os inputs diários que dás e quais os outputs que podes esperar. E dá tempo ao tempo. Um multi-tudo precisa de tempo para cobrir a sua base de conhecimento para depois pensar na especialização. Se esse processo não correr bem, começa de novo, noutra função ou noutra área e assim poderás encontrar um caminho interessante para desenvolver.

Respondendo então à pergunta: sê um profissional multi-tudo de conhecimentos e um profissional especialista no trabalho que fazes. Este é um mix de valor que deves acrescentar para uma carreira mais rica.

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