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Viajar – Tirar Férias e Voltar a Casa

Viajar é um dos maiores prazeres da vida. Posso ficar um bocado com depressão quando volto mas há qualquer coisa boa a retirar da experiência.

Viajar é das melhores coisas que se pode fazer neste momento.
Vivemos numa era em que é demasiado fácil conhecer outros países. Há a Internet para vermos fotografias dos locais que queremos visitar. Há websites e aplicações para reservarmos as viagens e os hotéis sem sair de casa. Há mapas no telemóvel, há blogs com sugestões de restaurantes e bares, há redes sociais para perguntar opinião de outras pessoas.
Viajar tornou-se cada vez mais fácil e nem temos de sair de casa. Podemos apanhar um avião e acordar sábado de manhã numa capital europeia ou decidir ficar em casa a descobrir as várias maravilhas do nosso país. Claro que uma boa viagem deve ser planeada mas os entraves são muito poucos para quem tem o bichinho de viajar.

Viajar é mais do que conhecer outros lugares – é como ter uma outra vida

Vejo em muitas redes sociais os vários sítios e países que as pessoas que sigo conhecem. Desde amigos a colegas de escola, todos os dias vemos que alguém está num sítio novo que parece ser giro. Quando fazemos uma lista de locais que gostávamos de visitar (e só estou a falar de Lisboa!!), percebemos que precisamos de ser gatos e ter mais vidas para poder visitar o mundo inteiro.
Este ano tive o enorme prazer de visitar três países diferentes e diversas localidades em Portugal. Sempre que saio de casa, sinto aquela vontade de explorar mais o sítio que visito. Se ficar lá alguns dias, apetece-me mudar de ares e ficar lá a viver. Se provo um bom prato, gostava de o poder cozinhar ou comer para sempre. Quando encontro a melhor cama e fico na ronha até ao meio-dia, quero sempre ficar mais uma semana sem fazer nada.

Este Verão senti-me verdadeiramente de férias e é realmente bom

Quando fui de férias, decidi que não iria verificar o e-mail do trabalho. Ao apanhar o avião, deixei o telemóvel do trabalho em casa e liguei o out-of-office, de propósito para poder desfrutar o presente e estar só focada em aproveitar o tempo livre.
Estas férias senti mesmo um desligar. Não pensei nos cursos todos que gostava de repetir. Não pensei que tinha de comprar um casaco para o Inverno. Não pensei que tenho de escrever no blog. Não pensei que tenho de gerir melhor o meu orçamento mensal. Não pensei que tinha de ver as redes sociais todos os dias para ver o que outros estavam a fazer.
Ao viajar, senti que só estava focada no presente, nas diferentes culturas, nas diferentes línguas. Sentia-me uma criança muito curiosa a querer ver bem a arquitectura da cidade, a conhecer a comida, a pensar quais são os hábitos das pessoas, quanto é que uma pessoa poderá ganhar de salário, como é que são os supermercados.

Além disso, sinto que viajar torna a vida muito mais simples

Percebi que podemos viver com tão pouco e que somos seres muito mais prático do que imaginamos.
Para podermos andar com pouca coisa, só precisamos do essencial – que pode ser uma garrafa de água num dia de calor. Só precisas de um jardim e uma sombra à relva para comer um gelado. Não precisas de um hotel de cinco entrelas e qualquer piscina serve para deitar na cadeira e ler o nosso livro preferido. Qualquer praia é boa e qualquer sítio é bom para ser explorado.
A experiência de viajar é de estarmos apenas a conhecer outra realidade e sinto que desligo das minhas preocupações diárias.

É tão bom poder sair de casa e conhecer outros mundos – por isso é que voltar a casa às vezes pode ser um sentimento agridoce

Apesar de ter estado apenas quatro dias seguidos fora, percebo perfeitamente porque é que as pessoas têm depressão pós-férias. Quando se está uma semana à beira mar a ter uma vida super simples e tranquila, custa-nos muito levantar da cama com alarme e sair porta fora numa correria matinal. Os dias seguintes são também penosos numa luta de manter a caixa de e-mail atualizada e preparar os próximos desafios.

Contudo, quando voltei de férias senti que tinha descansado e também gostei de voltar a casa.

Não gostei de dormir numa cama mais pequena. Não gostei de acordar sozinha. Não gostei do alarme às sete da manhã. Não gostei do trânsito e do movimento matinal. Não gostei da caixa de e-mails.
Mas gostei de voltar às minhas rotinas. Gostei de voltar aos meus cozinhados. Gostei de ter o meu espaço. Gostei de ver a minha estante e ver os próximos livros que vou ler. Gostei de ver os meus amigos, os meus sítios preferidos, os meus colegas de trabalho.
É sempre bom estar de férias e desligarmos um pouco da nossa realidade, nem que seja para redefinir prioridades. Às vezes precisamos de largar algumas coisas para perceber que podemos viver com pouco.