Os Jovens Produzem – Se os Deixarem

A rotina de uma pessoa é simples. Acordar, tomar banho, tomar o pequeno-almoço, ir para o trabalho. Depois, trabalhar, almoçar e voltar ao trabalho. Antes da noite, sair do trabalho, ir para casa, jantar, ver televisão, lavar os dentes e ir dormir.

Muitos de nós vive neste piloto automático e no trabalho não é diferente.

A rotina do trabalho é entrar às 9h e sair às 18h, com uma secretária, um computador, um cubículo, um escritório, uma hora de almoço. Durante anos foi assim que o mercado de trabalho se desenvolveu, quando a agricultura e a indústria deram lugar ao mercado dos serviços e dos avanços tecnológicos. A força laboral era composta por pessoas com conhecimentos técnicos que desempenhavam funções simples, de forma mecânica e rápida, de forma a aumentar a produtividade e diminuir os custos.

Todos sabiam o que fazer, como fazer, e faziam-no durante anos até à reforma. Estudavam, tinham uma licenciatura, encontravam uma empresa e por lá ficavam.

Mas mudam-se os tempos e mudam-se as vontades.

A evolução tecnológica da Internet e dos negócios online mudou muito. As pessoas já nem precisam de uma secretária e podem mandar e-mails pelo telemóvel. Há reuniões que podem ser à distância. Já não é preciso esperar por aquela carta. Como tudo se faz mais rápido, as pessoas podem ter mais tempo para pensar e ser estrategas.

A nova economia vai ser dominada por máquinas que fazem todo o papel operacional. E nós humanos? Nós temos de ficar com a inovação e a criatividade. Nós temos de ficar com o dever de ter uma visão para o futuro para produzir melhor no futuro.

As empresas vão precisar de pessoas que saibam fazer coisas, mas também vão precisar de quem pense sobre as coisas.

A agilidade tecnológica vai pedir pessoas técnicas mas também muito criativas. E os Millennials são mesmo isso.

A nova geração tem os conhecimentos técnicos mas também a parte criativa. Trazem consigo a sensibilidade para a polivalência e para o desenvolvimento constante das soft-skills, capacidades essas tão namoradas pelas empresas por permitirem a um indivíduo adaptar-se a qualquer tarefa.

Mas para essas potencialidades se poderem desenvolver, tem de haver um ambiente que fomente esse desenvolvimento – e para os jovens um cubículo não é esse ambiente.

Vemos cada vez mais artigos sobre a «gestão dos Millennials». Sobre como lidar com a geração que tem conhecimentos, que sabe tudo. Como lidar com uma geração que tem as habilidades e as ferramentas para se desenvolver rapidamente em qualquer ambiente. As suas capacidades são fascinantes para os mais velhos mas as suas atitudes são incompreensíveis. Tal como explicam vários artigos, incluindo este da Forbes, os jovens não funcionam com um 9-to-5, mas isso não quer dizer que sejam preguiçosos.

O actual capital humano quer trabalhar mas não da maneira tradicional.

Para as empresas, a produtividade é criar mais quantidade num determinado espaço de tempo. Para os jovens, a produtividade é criar mais qualidade no tempo que permite a melhor produção.

A produtividade é sinónimo de flexibilidade de horários, pois nem todos atingimos o nosso potencial máximo às horas que nos pedem. Uns trabalham melhor de manhã, outros melhor de tarde, outros melhor de madrugada. Uns melhor acompanhados, uns melhor sozinhos, uns melhor no escritório, uns melhor no café, uns melhor no bar de praia. Enquanto que para as empresas o importante é que haja controlo pelo trabalho feito, para os jovens o importante é que o trabalho esteja feito, independentemente da hora e local a que seja realizado – se o trabalho precisa de estar pronto naquele dia, o trabalho estará pronto.

Esta mentalidade dos jovens não é uma simples rebeldia contra o sistema ou um capricho de quem é preguiçoso. É uma tendência que deve ser vista como uma oportunidade para empresas poderem potenciar capital humano.

O capital humano é mais do que técnico. É criativo, motivado e de excelência, que pode produzir os seus melhores resultados se formados num ambiente diferente.

Há que haver um ambiente que permita ter alguma flexibilidade de planeamento e execução de tarefas. Há que haver outros benefícios que não dinheiro ou carros. Há que haver avaliações de desempenho e feedback constante. Há que haver um planeamente de carreira ativo para valorizar as pessoas. Porque os Millennials vêm mostrar que o mercado de trabalho é mais flexível do que se pensa. Com a multiplicidade de oportunidades e com a longa vida que se tem, para quê ficar numa empresa só porque sim?

O mercado de trabalho está a mudar e as empresas devem acompanhar essa mudança. As funções mudam, os papéis mudam e os profissionais mudam. Os bons profissionais existiam e continuam a existir e são mais jovens. Assim, se trabalha com jovens e quer obter o melhor trabalho que eles possam produzir, dê-lhes trabalho e flexibilidade: seguramente eles iram acabar o trabalho e os bons profissionais vão colocá-lo no patamar que deseja. Basta dar o melhor solo, água e luz, que a flor irá desabrochar.

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