Temos de Ensinar As Mulheres a Falhar

O feminismo está na moda e ainda bem que está.

Muito se fala sobre os direitos das mulheres. Nos países em desenvolvimento, os problemas estão à vista de todos. As mulheres não têm direitos humanos básicos, como liberdade de educação, liberdade de associação, liberdade de conduzir.

Mas muita conversa tem sido feita também nos países ocidentais, em que a conversa anda à volta dos direitos de reprodução, das diferenças salariais, dos assédios sexuais no meio profissional.

Outro tema de que se fala muito é das carreiras das mulheres e o quão é difícil poderem chegar ao topo.

Sabemos que as mulheres estão em maioria nas universidades e no mercado de trabalho mas quando se trata de comandar grandes negócios e indústrias, o poder dos homens prevalece.

Segundo a Forbes, das 500 empresas maiores do mundo, apenas 24 têm responsáveis mulheres – uns meros 4%. Nesta lista apareceram 29 novas empresas e apenas uma tinha uma mulher CEO.

Muitos apontam a falta de oportunidades ou a “falta de vontade” das mulheres em serem líderes, por acharem que isso irá condicionar a sua vida pessoal, em termos de ter uma família com filhos.

Não acho essa razão válida mas por detrás deste pensamento há uma crença que descobri ser essencial – as mulheres não sabem falhar.

Deste pequenas que sentimos que temos de ser perfeitas. Um rapaz se tiver todo sujo é aventureiro e brincalhão. Uma menina mal arranjada não é uma senhora e é uma vergonha. Um rapaz pode ter um ar cool, uma rapariga tem de ter os seus traços femininos on point – se não é maria rapaz e o quão deselegante é isso.

Na escola, há sempre o rapaz calão, que não estuda, mas tira umas boas notas, porque é inteligente. Já a rapariga pode tirar boas notas, mas isso não a torna talentosa, apenas trabalhadora.

Já no local de trabalho, noto bastante isso. O guarda-roupa das mulheres é totalmente escrutinado. Leio rios de artigos de que as mulheres devem ir bem arranjadas para o trabalho, com calças não muito justas, saias com tamanhos decentes, poucos decotes. Um homem pode andar sempre de fato, mas se um dia trouxer um polo, umas calças de ganga e uns ténis, está em casual friday. Uma mulher tem de estar maquilhada e abusar dos saltos altos – lembram-se daquele escândalo britânico de que a senhora era obrigada a ter uns sapatos altos para ser elegante? Pois, é disto de que falo.

O mesmo se passa quando se trata de subir na carreira. Os homens são reconhecidos pelos seus talentos naturais e as mulheres são reconhecidas pelo esforço. Mas quantas vezes sentimos que um homem pode ser promovido por ter ganho um grande cliente e uma mulher precisa de mostrar dez bons clientes para poder ter a mesma promoção? Quantas vezes sentimos que ao nosso colega dizem boas coisas e a nós nos dizem que fizemos bem mas que existem falhas que têm de ser colmatadas?

Como podemos esperar mais mulheres líderes se não as ensinamos que podem errar à vontade?

Um homem falha e é corrigido. Aprende e move on. Quando uma mulher erra, parece que o mundo vai cair.

Posso parecer exagerada mas como mulher sinto isso, uma enorme pressão de fazer tudo bem, certinho, à primeira.

E quando erramos existe a descasca de alguém superior, por vezes até mesmo de uma mulher.

Estas histórias contadas e recontadas por várias mulheres deixam marcas que vão passar para a geração seguinte. Fazem com que as mulheres se tornem inseguras e pensam cinquenta mil vezes antes de tomarem o mais leve passo.

As mulheres têm medo de falhar. Precisamos de as ensinar a errar.

Temos de criar uma rede de segurança para poderem falar e dizer coisas que podem parecer parvas no momento. Parece que as mulheres não podem ter ideias como mandar foguetões para o espaço mas o bilionário do Elon Musk já pode.

Muitos empregadores acham que lidar com mulheres é uma telenovela mexicana. Porque as mulheres são mais emotivas, energéticas, dramáticas. Por isso o apoio e a motivação no trabalho têm de ser tratadas de forma diferente.

Não, nós não precisamos de mais apoio, de mais apontamentos, de mais explicações, porque não percebemos as coisas à primeira. Precisamos é que as emrpesas percebam que cada individuo tem as suas necessidades.  Uma organização com homens e mulheres deve saber abordar cada um deles diferentemente. Não pelo género, não por uma questão de inferioridade, mas sim porque vemos as coisas de maneiras diferentes.

As empresas devem ser palcos do falhanço.

As organizações devem constituir locais de trabalhos seguros para o falhanço. As hierarquias e burocracias, bem como as pressões das chefias nada ajudam para criar um ambiente criativo. É através do falhanço que as pessoas saem da sua zona de conforto e começam a pensar mais longe.

É através do falhanço que as pessoas crescem e aprendem novas skills. É através do falhanço que as pessoas ganham o mindset de resolver problemas de forma rpática e eficiente. É através do falhanço que se criam líderes, e não chefes que só servem para mandar.

As mulheres estão em maioria no mercado de trabalho pelo que ter mulheres mais confiantes traz imensas vantagens económicas. Para termos mulheres fortes, temos de permitir que qualquer criança de qualquer género se sinta à vontade com o falhanço.

Temos de  incentivar ideias parvas, projetos mal acabados, resultados desastrosos. Temos de promover aqueles que arriscam e sonham mais alto. E temos de o fazer pelas mulheres, para que possam sempre sentir que podem conquistar o mundo, um falhanço de cada vez.

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