A Crise dos 25

Falta menos de um mês para festejar um quarto de século – e já há uns meses atrás sentia a crise dos 25.

A crise dos 25 é aquela crise parva. Quando temos crises na adolescência, sabemos que é a idade do armário. Quando temos crises aos 40 ou 50 anos, sabemos que é a meia idade. Então e a crise dos 25 anos? A crise de um quarto de vida?

É aquela crise chata porque nem sabemos como vivê-la.

Durante 25 anos, temos uma vida completamente estruturada.

Dos 0 aos 3 anos, somos bebés logo alguém tem de cuidar de nós.

Dos 3 aos 6 anos, começam-nos a dizer para fazermos as coisas por nós: arrumar os brinquedos, apertar os sapatos, pintar umas coisas.

E depois a partir dos 6 anos começa a grande aventura que se vai prolongar por 15 anos: o ensino.

A nossa vida está completamente programada desde que entramos para a escola. Do primeiro ano passamos para o segundo; aprendemos primeiro a somar e a subtrair e depois a multiplicar e a dividir.

Tudo isto tem um propósito claro – chegarmos ao 9º ano, fazermos os exames nacionais e perceber se gostamos mais de escrever, calcular, desenhar ou correr. Considerando os nossos interesses e notas passamos para aquele ensino importante – o ensino secundário.

E começa a crise da adolescência.

Qualquer adulto perto de nós já se queixou dos adolescentes reguilas, doidos, que não estudam, sentimentais, frustrados da vida. Tudo nos afeta, desde a nódoa nos ténis brancos da Adidas até à nossa crush começar a enrolar-se com a nossa pior inimiga. Vale tudo nesta altura, é melhor que se viva todas as emoções.

Mas a adolescência acaba por desaparecer com o acne e chegamos à faculdade. É aquele mundo perfeito – somos crescidos o suficiente para conduzir, sair à noite e estudar o que realmente gostamos mas ainda somos putos o suficiente para cuidarem de nós. Já nem é preciso lutar pelo 15, médias é história do passado, alcançar o 10 é a melhor forma de sobreviver estes 3 anos.

O que importa é o canudo para chegarmos ao mundo dos adultos e entrarmos no mercado de trabalho.

E quanto a essa aventura já sabemos bem o que nos acontece.

Vagas de trabalho, CVs, entrevistas, primeiro emprego, comprar roupa formal, andar de transportes, não sobreviver sem café. Ter um chefe, chatear os colegas, ser chateado pelo chefe, ter o primeiro salário. Mudar de trabalho, novos colegas, novos ambientes, novos desafios.

O mundo dos adultos é novo e assustador.

Depois de já ter passado toda a excitação de “ser adulto”, chega-se à etapa dos 25 anos.

E número redondos convidam a grandes jantares e também a grandes reflexões.

Estando perto desta data, começo a perguntar-me “o que raio eu estou a fazer com a minha vida?”

Faço esta pergunta internamente, para perceber se já atingi os meus objetivos, se vivo os meus dias como quero, se faço as coisas de que gosto fazer.

Mas também não posso negar que há sempre uma pressãozinha de olhar para os outros.

Há quem já esteja casado e com filhos. Há quem só tem os filhos. Há quem já comprou uma casa. Há quem viaja o mundo inteiro. Há quem adora o seu trabalho. Há quem ainda anda a ver como é que isto se faz. Há quem volta à faculdade para estudar. Há quem já está a pensar nos doutoramentos.

Há quem seja milionário desde os 18 anos. Há quem está-se a tornar milionário aos 25. Há quem ande a estudar para curar o cancro. Há quem está a dedicar a sua vida ao voluntariado. Há quem faça mudanças radicais. Há quem diga finalmente o sim que tanto esperava. Há quem agarra oportunidades.

Há quem já é chefe de departamento.

Há quem mudou de área e é estagiário outra vez. Há quem vende carros. Há quem trabalha em cafés. Há quem troque de telemóvel todos os anos. Há quem está feliz com isto tudo. Há quem faz anos sabáticos. Há quem vira freelancer.

Há tanta gente a fazer tanta coisa diferente com todas as certezas de que está a fazer o que é certo. E ainda assim não posso deixar de pensar que muitas dessas pessoas, que eu acho que têm tudo bem feito, também estão como eu – não fazem puto de ideia o que estão a fazer.

Acho que a crise dos 25 é uma não crise – é apenas um check point.

Dá sempre jeito dizer que estamos em crise quando começamos a ter dúvidas e questões sobre a nossa vida, carreira, o caminho que queremos percorrer.

Mas acho que as pessoas exageraram quando criaram esta “crise dos 25 anos”. Isto não é uma crise, não é a troika que pode dar respostas às nossas questões.
A crise dos 25 é apenas um check point. O ser humano adora analisar, reflectir, pensar, questionar. Como qualquer aniversário, pensamos sempre no ano que estamos a viver e no que queremos fazer no próximo ano. O ser humano adora estar insatisfeito, porque é essa curiosidade que nos faz viver muita coisa.
Na crise dos 25 anos, já não podemos utilizar as desculpas do acne e das hormonas e portanto temos de arranjar uma desculpa para as dúvidas existenciais que temos. Mas essas dúvidas vão sempre acontecer, quer seja aos 29, aos 30, aos 24, aos 44, aos 51.

Todos os momentos da nossa vida vamos sempre pensar se de facto somos e estamos felizes.

E a crise dos 25 anos não é excepção. Por isso é que digo que não é uma crise. É só um checkpoint, um momento no início da nossa vida adulta em que examinamos se estamos a corresponder a certas métricas da sociedade.
Mas será mesmo que temos de seguir essas métricas da sociedade? Quantas vezes quebramos essas métricas e somos felizes à mesma? Quantas vezes fazemos o que não está no guião e conseguimos alcançar os nossos objetivos?
Ter 25 anos não é sinónimo de ser um jovem bem sucedido, com uma carreira em ascensão, uma primeira casa para morar, um casamento marcado e um filho a caminho. Ter 25 anos não é sinónimo de ter a vida decidida, os cantos do mundo todos visitados, as respostas todas na ponta da língua.

Ter 25 anos é só e apenas sinónimo de ter 25 anos de existência.

25 anos com todas as experiências, decisões e objetivos que cada um quer. Essas experiências moldaram-nos, essas decisões direcionaram a nossa vida – mas são os nossos objetivos que realmente nos movem a termos uma vida melhor. E se esses objetivos não são os mesmos da sociedade, no problem. E se esses objetivos ainda não foram concretizados aos 25 anos, no problem. 
Completar 25 anos pode ser uma crise para uns mas não lhe chames crise. É uma excelente oportunidade para reflectir sobre a vida e apenas pensar na pergunta mais importante que cada um de nós tem responder – eu estou a gostar da minha vida? Se sim, perfeito. Se não, perfeito também. Assim, já tens uma desculpa para entrares «em crise» e fazer a mudança que pretenderes, ao teu tempo, ao teu ritmo.
Porque fazer 25 anos é a melhor coisa do mundo, porque não há nada melhor que ainda estar viva e pronta para experienciar tudo o que o mundo e as pessoas têm para nos dar.
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