A Paixão no Trabalho

Se perguntares aos teus amigos porque trabalham na empresa onde estão, o que te irão responder?

«É perto de casa»

«Foi por referência»

«O salário é bom»

«É uma empresa multinacional. Posso ser chefe em 3 anos»

«Paga-me as contas»

«A equipa é fixe»

«Foi o que se arranjou»

Talvez sejam muitos os que falam do ordenado, outros que dizem que gostam do ambiente. Mas se calhar são poucos aqueles que se contam pelos dedos que respondem «porque gosto do que faço».

A maneira de arranjar emprego mudou muito nos últimos anos. Tal como referencia Richard Nelson Bolles no seu livro What Color is Your Parachute?  antes o recrutamento pendia para o lado dos prospects. Como havia mais vagas de trabalho e mais talento, eram as empresas que tinham de lutar para ter aquele candidato e por isso havia uma valorização da pessoa.

Com a crise de 2008, o emprego começou a escassear e portanto a balança pendeu para o lado das empresas. De um cenário de se-não-me-aceitas-tenho-mais-duas-boas-propostas-na-manga passamos para o por-favor-aceita-me-por-qualquer-preço-eu-preciso-de-um-salário.

Com o resurgimento do crescimento económico e com algumas lições que os colaboradores aprenderam, o processo de recrutamento está mais equilibrado. Também porque a maior parte da massa laboral faz parte da Geração Millennial.

Para os Millennials, o maior incentivo para trabalhar numa empresa pode não ser o rendimento ou os almoços grátis mas sim o propósito da empresa.

Esta nova geração valoriza um ambiente descontraído, possibilidade de crescimento através da formação, feedback constante e comunicação rápida. E sobretudo, os Millennials valorizam um trabalho de que gostem. Pois ao trabalharem no que gostam, sentem-se mais motivados e mais fiéis à empresa, tornando-se melhores profissionais.

Esta mudança de paradigma e a valorização do propósito de carreira pode causar alguns problemas aos Recursos Humanos das empresas.

Se antes a manutenção de um colaborador poderia ser feita através de cheques bónus, oportunidades de promoção, carros, e outros luxos pagáveis, agora o dinheiro pode não ter o mesmo peso que tinha.

Assim entra uma nova variável na escolha do trabalho – a motivação e a paixão do fazer.

É por isso que vemos Millennials a trocar grandes multinacionais porque pequenas e médias empresas. É por isso que vemos pessoas de 50 anos a deixar a sua vida de chefia para abraçar novos projetos de Start-Ups. É por isso que vemos chefias a saírem do topo e abraçarem novas áreas e novas carreiras.

É tudo sobre paixão – gostar do trabalho. Os processos de recrutamento devem então ter em atenção este novo factor. Não interessa o quão bem pago é um trabalho se a pessoa se sente stressada e deprimida a fazê-lo.

Por mais que exista dinheiro, oportunidade de crescer e conforto, por vezes, não chega. Trabalhar por dinheiro não chega.

É a paixão que nos move, no final do dia. Ter dinheiro é importante, dá-nos conforto e possibilidade de viver uma melhor vida. Mas será que o dinheiro é suficiente para o stress e a depressão? Será que vale a pena viver dias miseráveis por mais euros na conta bancária?

Será que podemos chamar viver?

Será que podemos chamar isso de sucesso? É sustentável alguém conseguir fazer um bom trabalho sem gostar dele? É possível ser bom profissional e estar constantemente a crescer, sem um interesse genuíno?

Acho que este tema da paixão no trabalho está a ganhar mais relevo. É assim que vemos as grandes empresas de Sillicon Valley com colaboradores empenhados a falar bem da empresa. É assim que começamos a falar de motivação. É assim que começamos a perguntar se somos felizes no trabalho. Porque não é o dinheiro que nos move, mas sim a paixão.

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