Felicidade: Muda de Imagem ou Muda de Vida


Às vezes ficar a ver séries em casa dá jeito.

Acompanhei a série “Hart of Dixie” (em português “Doutora no Alabama”) quando dava nos Estados Unidos.

Era uma série típica de domingo à tarde: tranquila, fácil de consumir e um pouco tosca. Não chegava a ser um guilty pleasure – era mais um fluffy pleasure, como se fosse uma coisa soft the gaja (e vamos acabar com os sexismos por aqui).

Só para resumir, a série conta a história de uma jovem médica em Nova Iorque que se muda para uma cidade pequena no Alabama. As suas aventuras prendem-se com o adaptar-se à sua nova realidade; a integração numa cidade pequena com diferentes costumes; e o desenrolar de boas amizades e trios amorosos difíceis de resolver.

(eu disse que era um girl pleasure!)

No outro dia, apanhei um episódio antigo, em que a protagonista sente-se atraída por um rapaz que é, digamos, não o seu estilo. Eles acabam por se envolver mas ela arrepende-se. Contudo, tal como boa comédia romântica, eles são vizinhos e continuam às turras. Neste processo todo a protagonista sente-se confusa e dividida, entre a sua cidade e o Alabama. Ela acha que Alabama não é para si mas afinal gosta do sítio. A frustração faz-lhe atribuir as culpas ao moço, está-se mesmo a ver.

Numa cena de mais turras entre os dois, o moço, chamado Wade, diz-lhe algo que quero partilhar convosco:

 

Estás sempre a olhar à tua volta, a pensar como é que a tua vida deveria ser e não a pensar no que ela é. Tu não estás a ser honesta contigo. Não estás a admitir o que te faz feliz.

Sabes o que vou fazer hoje? Vou ficar em casa e jogar Playstation, talvez duas, três horas. O que eu não vou fazer é mandar-me abaixo por passar a noite a jogar quando podia sair e ir salvar o mundo. Porque se eu quisesse ir salvar mundo…eu ia, já amanhã. Porque é uma escolha. É a minha escolha. Tal como tu escolheste ficar aqui, tal como tu escolheste ser médica em vez de ser astronauta, tal como tu escolheste dormir comigo ontem – e é óbvio que há qualquer coisa em todas essas decisões que te faz feliz. O problema é que elas não correspondem à tua imagem perfeita de como a tua vida deveria ser.

Por isso, queres ser feliz? Muda a tua imagem ou muda a tua vida.

 

Pode ser uma série, pode ser uma cena romântica, pode ser um discurso muito bem preparado. Mas a verdade é que a mensagem está lá.

Todos começamos a nossa vida com várias expectativas do que queremos que ela seja. Sabemos exactamente o que precisamos de ser, fazer ou ter para sermos felizes. Nem sempre os nossos planos se concretizam e temos de nos adaptar.

Mas somos casmurros porque não queremos mudar. Nós não queremos o plano B, queremos o plano A, porque é assim que a vida deve ser. É assim que nós planeamos a nossa vida – é assim que tem de acontecer!

Muita frustração que as pessoas têm vem exactamente desta luta interior que temos connosco.

O que quero ser: o que os outros querem que eu seja ou o que eu realmente sou?

Este é o grande desafio que a protagonista enfrenta na série.

Ela tem uma imagem na cabeça do que deve ser: uma médica bem sucedida e bonita a trabalhar num grande hospital e a viver em Nova Iorque, a melhor e mais famosa cidade do mundo. Esse é o seu sonho. Essa é a sua ideia de felicidade. Por isso estar numa mini cidade, no campo, a trabalhar numa clínica familiar não a pode fazer feliz. É uma vida totalmente diferente daquela que ela queria. Mas a verdade é que ela gosta do que faz, tem boas pessoas ao seu lado e, quem sabe, até encontrou alguém para namorar.

Contudo, essa não é a sua ideia de felicidade – ou não é aquilo que os outros esperam dela?

A felicidade é puramente nossa e tem de estar compatível com os nossos valores. Se os nossos valores mudam ou uns tornam-se mais importante do que outros, é normal que a ideia felicidade também mude.

A felicidade é apenas uma imagem que temos na nossa cabeça e que podemos mudar a qualquer momento. Tal como o Wade refere, a felicidade é uma decisão que tomamos todos os dias. Se algumas decisões não nos deixam felizes, então tomamos outras e mudamos o rumo. E aquelas decisões que achamos erradas mas que nos fazem felizes? Se calhar, passamos uma vida inteira a fazer coisas que achamos que nos deixam felizes, mas apenas servem para impressionar os outros. Mas de quem é a vida – dos outros ou tua? Quem é que tem de estar bem com a tua vida – os outros ou tu? Quais são os valores que te importam – os dos outros ou os teus?

A qualquer altura da vida, devemos reflectir sobre o nosso caminho e os nossos objetivos.

Para fazer uma melhor reflexão, faz-te estas perguntas: o que sou? O que realmente sou? Estou a viver uma vida como eu quero ou como os outros querem que eu viva?

  • Filipa Maia

    Gostei muito, Rita! Também vi a série e lembro-me dessa cena e na altura claro que não lhe dei a devida atenção nem pensei muito no seu significado. Mas é tão verdade! Quantas vezes seguimos com a nossa vida sem pensar duas vezes se é mesmo aquilo que queremos, só porque é o caminho em que estamos continuamos nele independentemente de estarmos felizes ou não. Obrigada pela partilha =)

    • É tão verdade, Filipa! Temos mesmo de ter mais momentos de reflexão sobre a nossa vida, para realmente sermos donas e senhoras do nosso caminho. A vida é só uma e há que aproveitá-la MUITO bem 😀

  • Não conheço a série, mas gostei muito da mensagem deste post. Acho que mudamos muito mais ao longo da vida do que aquilo que estamos dispostos a admitir a nós próprios porque, no fundo, acabamos por nos contradizer. Queremos uma coisa mas pode acontecer que quando a alcançamos percebemos que não era aquilo que esperávamos e queremos tentar algo diferente. E então? Ficamos por medo do que os outros possam pensar ou mudamos? Enfim, acho que aprendermos a lidar com as nossas próprias mudanças é uma aprendizagem que dura a vida inteira. E que vale a pena fazer. Deixar de experimentar, de mudar, de viver por medo das expectativas alheias não me parece uma vida bem vivida.

    • Obrigada pelo teu comentário, Inês, é mesmo isso! Podemos escolher um caminho e percebermos que, afinal, não queremos nada daquilo. SO what?? o melhor que a vida nos dá é a oportunidade de mudar o rumo sempre que queiramos. E tal como dizes, não podemos deixar de experimentar e de mudar. O medo da mudança vai passando aos poucos sempre que arriscamos mais uma vez 🙂

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