Millennials: Crescidos e Perdidos

Este post tem como grande inspiração os Millennials e todas as pessoas da minha idade, pois estamos nessa milestone que são os 25 anos.

Acho que posso falar pela minha geração – os Millennials – que estão entre os 20 e os 39 anos.

Eu e os meus colegas saímos da faculdade com grandes sonhos e habilidades. Somos a geração com mais graus académicos, totalmente adaptada à tecnologia e à Internet, com skills técnicas e com adaptação à mudança.

Já se passaram 4-5 anos desde a última vez que utilizamos o traje às quintas-feiras e uma coisa que sei é que estamos mais crescidos. E por isso, temos a maturidade certa para dizer que todos estamos perdidos.

Quando saímos da faculdade, tínhamos todos os sonhos no bolso mas o mercado de trabalho não estava para nos ajudar.

O mercado de trabalho não queria saber se tínhamos mais de 1000 amigos no Facebook. Ou se o nosso diploma era o melhor do mundo. A coisa correu mal.

Uns conseguiram entrar no mercado na área escolhida, outros ficaram fora do mercado. Uns foram estudar para ter mais diplomas e outros saíram porta fora para procurar novas oportunidades. Uns encontraram o que queriam mas desiludiram-se; outros ainda não sabem bem o que querem.

O que nos aconteceu, geração promissora?

Depois de 4-5 anos vejo que todos os meus amigos e colegas querem mudar.

Os que começaram com o pé direito, ficaram desencantados com os salários mal pagos e querem ir para as multinacionais ter um trabalho confortável.

Os que começaram fora da área, cansaram-se de não fazer o que gostam e agora querem realmente apostar nos seus talentos.

Os que estiveram a progredir nos estudos querem sonhar mais alto e procurar o emprego perfeito, saltando de experiência em experiência.

Os que ficaram de fora do mercado e sem solução, fixam-se naquilo que dá trabalho, porque está a ficar demasiado tarde não ter o seu próprio dinheiro e viver às custas dos pais.

Os que tiveram muito tempo desempregados e agarraram qualquer coisa, agora têm a confiança e a juventude para pensar que ainda vão a tempo de recomeçar uma carreira, noutro lado, noutra área, outra coisa.

Os que partiram, querem voltar, porque o dinheiro não cobre a insatisfação de trabalhar em algo que não se gosta (raios, Milennials!).

E depois há aquele 1% dos Millenials, que estudaram o que gostam, trabalham no que gostam e consideram-se bem na vida. Se tu fores um deles, acusa-te, por favor, porque eu não conheço ninguém assim.

Somos crescidos, estamos a crescer, mas estamos perdidos.

Somos crescidos o suficiente para querer ter uma casa própria, mas a renda da casa é o salário inteiro.

Somos crescidos para ter um trabalho, mas nem sabemos o que é ter um contrato, só recibos. Somos crescidos para ter carro, mas se esse existir é só aos fins-de-semana.

Somos crescidos para ter uma vida a dois, mas nem há namorados nem casamentos à vista.

A chegar ao trabalho, noto que nem tudo é mau. Acho que estamos todos a acordar.

Os frustrados com o trabalho já têm tomates para procurar alguma coisa.

Os aventurados já têm os trocos juntos para emigrar e tentar o que deus quiser.

Os determinados já têm ideias para empreender os seus negócios.

Os ambiciosos já têm conversa para se atirarem aos grandes postos de trabalho.

Os criativos põem as fichas todas em cima da mesa e partilham o seu trabalho com o mundo.

No fundo, estamos todos fartos da vida.

Fartos de uma vida nos foi imposta por uma crise que não pedimos. Sofremos uma mudança tecnológica que os nossos pais infelizmente não conseguiram prever. Eles fizeram o melhor que puderam, achando que o que funcionou com eles ia funcionar ainda melhor connosco. Até que o mundo trocou-nos as voltas e a eles também, porque não sabem como lidar com filhos dependentes aos 30 anos, quando eles tiveram filhos aos 25.

No fundo, estamos todos fartos de apenas sobreviver e estamos a arranjar a coragem de nos atirarmos aos lobos.

Vamos atrás dos nossos sonhos, vamos mudar e procurar aquilo que queremos. Vamos expandir a nossa zona de conforto e experimentar aquilo que sempre quisemos.

Vamos definir objetivos e estratégias para concretizarmos os nossos sonhos. Vamos não pensar em rótulos. Vamos mostrar o dedo a quem quer nos colocar rótulos e dizer que fazendo diferente não vamos conseguir.

Mas…quais são os nossos sonhos?

Vamos atrás do quê?

O que realmente queremos fazer da vida? O que faz o nosso coração palpitar?

Mas alguém ganha dinheiro e faz uma vida com aquilo que adoramos fazer? Será que os nossos interesses é só ir à praia e fazer scroll no Instagram? Não há salários para visitar todos os sítios In de Lisboa? O que é que puxa por mim e me apaixona e eu posos viver disso?

E se desistimos de tudo para viajar, montar o nosso negócio, mudar de área, para onde vamos?

Por onde começamos?

Como vamos mudar de área?

Voltamos a estudar?

Começamos como estagiário mal pago de novo?

Fazemos tutoriais na net e vemos se os contactos no LinkedIn nos ajudam a arrumar qualquer coisa?

E as contas? A renda? o empréstimo ao banco daquele último curso? E o seguro do carro? E a comida do cão?

Somos crescidos mas temos uma vida feita com alinhavos a descoser. Somos crescidos, mas não sabemos o que costurar. Somos crescidos mas estamos perdidos?

  • Lucie Lu

    Só me apetece começar este comentário com uma asneira… F#d*-s!
    Que retrato tão cru daquilo que sinto. Daquilo que vejo. Daquilo que prevejo.
    Somos crescidos e perdidos. Eu costumo dizer I can’t adult! Pensei que aos 30 já tinha casa, família e um trabalho que me preenchesse. Enfim!
    E a eterna questão? O que é que puxa por mim e me apaixona e eu posos viver disso?
    Não há nenhum lugar onde se possa ir descobrir isso?
    Podemos juntas tentar ver se chegamos a alguma resposta!
    *Um beijinho, Lucie Lu

    • É tudo isso que disseste – achávamos que já teríamos a vida feita mas não. E pior – às vezes, dou por mim a pensar que NÃO sei o que quero da vida, qual o meu proposito? E sim, juntos somos mais fortes e conseguimos perceber tudo!! 😀

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  • Mafalda Mascarenhas

    Já tinha passado por ele, mas ainda não o tinha lido. Acho que vamos fazer grandes coisas, mas acho que vamos ter a fase de transição para “sermos adultos” mais longa e mais dolorosa do que todas as gerações tiveram até hoje. Esta incerteza é verdadeiramente assustadora e deprimente. E é frustrante querermos chegar lá e estarmos contantemente a morrer na praia. Mas acredito que vamos chegar lá.

    • Tens toda a razão. Antes transitar para adulto era mais fácil – era ter o emprego aos 21 anos, era sair de casa dos pais aos 25. É pensar que o meu pai casou-se aos 26/27 anos e já tinha a maior parte da vida arrumada. De fato, quase nos 25, acredito que não sou adulta, porque ainda não consegui atingir as metas para as quais a sociedade me propôs…e isso traz-nos frustração e também outras formas de viver a vida. Há sempre coisas positivas nos momentos mais chatos 😀

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