Reclama e segue em frente

Reclamar é de evitar mas às vezes é melhor falar.
Sou contra o reclamar em geral. O queixarem-se da vida aflige-me.
Se querem mudar alguma coisa, mudem logo, porque é que têm de perder tempo a mandar bitates para o ar e porque é que não começam logo a mudança?

Sou contra o reclamar em geral e ficarem quietos sem fazer nada. Mas há alturas em que reclamar faz bem.

Há alturas na minha vida que me sinto parada. Que a vida está entrar naquela rotina piloto automático que não nos ajuda a crescer. Sinto-me presa numa rodinha em que todos os dias são o mesmo, em que a novidade existe raramente. E quando a novidade não existe, sinto que não estou crescer, a desenvolver, e sinto-me claustrofóbica.

Nessas alturas da vida, perco algum tempo a reclamar. Sinto que o meu reclamar é mais um desabafo do que propriamente um reclamar mas ainda sim, sim, queixo-me do estado da minha vida e de como as coisas estão a correr.
Passo alguns dias nesse estado meio chateada, meio isolada do que acontece do mundo (será coincidência isto calhar nas alturas de TPM? se calhar nem me chateio, apenas estou mais sensível, um dia faço uma investigação mais pormenorizada).
Fico uns dias a pensar que tenho de mudar alguma coisa mas fico calada. Até que alguém puxa por mim (é o B, sempre, of course) e eu lá tenho as minhas duas horas para reclamar sobre a vida.
Não gosto de ser assim, porque é algo que sou completamente contra e que não aturo noutras pessoas.

Mas nessas alturas mais chatas da vida, reclamar para mim é um acto de terapia.
 

É terapia porque identifico o meu problema, identifico a causa, identifico a minha responsabilidade, recebo o apoio de que preciso, e depois sigo em frente. No dia seguinte, estou como nova, mais optimista, mais positiva, mais com a cabeça pronta para trabalhar e ultrapassar obstáculos. No dia anterior, o reclamar serviu para deitar as frustrações cá para fora para no dia seguinte voltar ao trabalho. Reclamar ou desabafar é aquele bocadinho de chorar na almofada e acordar na manhã seguinte com uma sensação de limpeza da alma.

Por isso, aqui fica o meu conselho: se te sentes mal e precisas de reclamar, reclama mas segue em frente.

Não percas tempo a moer os teus problemas. Identifica-os, responsabiliza-te por eles e arregaça as mangas. As frustrações são dores de crescimento e elas vão continuar a existir até ao final das nossas vidas; quanto menos tempo perdermos com elas, melhor. Mas se precisares de alguns minutos para te frustrares, vai dar uma volta, verbaliza-os com alguém e depois continua em frente. Porque a solução está no futuro, e não no moer constantemente os problemas. Queixa-te e move on!