Minimalismo: como o desejo de viver com menos começou

Este blogue tem um espaço para o minimalismo por uma razão muito simples: este website.
É daquelas histórias que não faço ideia como aconteceu.
Sempre que conheço algum artista, lembro-me de como os encontrei, mas desta vez, não sei explicar como é que comecei a ficar interessada no minimalismo.

Mas sei que foi a partir destes senhores: Joshua Fields Millburn & Ryan Nicodemus.

Conheci-os há cerca de um ano e tudo aquilo que disseram fez-me sentido. Tal como diz o seu pitch no website: “Joshua Fields Millburn & Ryan Nicodemus ajudam mais de 20 milhões de pessoas a viver vidas com mais significado com menos coisas”. Bem, quem lê uma coisa destas começa logo a pensar que eles são hermitas do século XXI, uns Amish mais modernos e que estão contra o sistema, a política, as pessoas, as empresas, tudo. O que não poderia ser mais longe da verdade.

Millburn e Nicodemus cresceram com o sonho americano e com 30 anos já tinham realizado tudo o que queriam: o salário acima dos 100 mil dólares, a casa de sonho, os carros luxuosos, o armário cheio de fatos, o título na empresa de director de alguma coisa. O problema é que não eram felizes assim.

Ryan (à direita na fotografia) e Joshua (à esquerda) eram amigos de infância e partilhavam a sua amargura, até que um dia Joshua pareceu mais contente, mais feliz com o seu estado. Num almoço juntos na Subway, Ryan perguntou porque é que ele andava mais feliz e Joshua explicou-lhe o que tinha encontrado: o minimalismo.

A partir daí, o par abandonou a sua vida de luxo e começou a construir uma vida com mais significado. Reduziram as suas casas, deixaram de compras coisas desnecessárias, decoram as suas casas com o essencial e simplificaram a sua vida. A paixão da escrita de Joshua levou-os a escrever um blogue de vários artigos sobre o tema e um livro que serviu de mote para uma tour nos Estados Unidos.

Essa tour ficou registada no documentário que vi há uns dias e era tudo aquilo que eu já estava à espera, mas muito melhor.

Não vou querer contar tudo do documentário mas acho que é um verdadeiro testemunho de como a nossa sociedade está demasiada focada no sucesso material, esquecendo-se que a procura da felicidade através das coisas é a mensagem mais errada que passamos aos jovens. Joshua e Ryan têm telemóveis e portáteis e um carro mas isso não é contraditório com a mensagem que querem passar. Tal como Joshua refere, não há nada contra o consumo, mas sim contra o consumo sem medida, um consumo que apenas existe para parecer bem, para assumir um estatuto social que nada nos beneficia como indivíduos, porque não traz valor nenhum.

O documentário tem excelentes testemunhos de alguns profissionais na área da sociologia bem como pessoas que decidiram mudar as suas vidas e viver de forma mais simples e com o necessário. É um documentário não só de factos mas também de muitos pensamentos e reflexões sobre experiências de vida mais simples e menos stressantes.

Enquanto via o documentário, emocionava-me por dentro muitas vezes, ver aquelas pessoas a falarem sobre como ter uma vida melhor. Fico extremamente contente por saber que existem pessoas como o Joshua e o Ryan que conseguiram ter uma vida boa e que espalham a sua mensagem e boa energia para o mundo. Imagino-me a conhecê-los e só poderia agradecer mil vezes por porem o meu cérebro a pensar sobre que legado vou deixar no mundo e de que forma posso viver melhor, para mim e para os outros que vivo em comunidade.

Isto parecer muito piegas mas isto é realmente verdade. Se todos tivéssemos um minuto que seja para pensarmos sobre a nossa vida e sobre o nosso legado, haveria muitas perguntas importantes a fazer: estou a viver a minha vida como quero? Estou a aproveitar o tempo? Estou a trabalhar para realizar os meus sonhos? Estou a cuidar do meu corpo, da minha mente, da minha alma? Estou a cuidar do bem estar de quem gosto? Estou a pensar mais positivo? Estou a deixar que a sociedade dite o que devo fazer ou dizer? Estou a deixar os meus pensamentos consumir a minha energia?

Todas estas auto-reflexões ajudaram-me a perceber que há certos e determinados valores que quero levar comigo para o futuro e que o valor sustentável é um deles. Quero poder ter um impacto positivo neste mundo e por isso começo a estar mais atenta à energia e ao desenvolvimento sustentáveis. E isso aplica-se definitivamente ao consumo.

Como é que consumo? O que consumo? Consumo demasiado? Porque é que consumo? Do que realmente preciso? Como viver com menos? Como consumir melhor? Que produtos posso utilizar? Que iniciativas devo apoiar?

Coloco-me estas perguntas de tempos em tempos e foi aí que o objectivo de me tornar mais minimalista surgiu. Com a crença de que sou uma pessoa em sete biliões mas que sou a única pessoa que pode mudar a minha vida, decidi ser mais consciente naquilo que faço. Não estou de todo a viver uma vida minimalista mas tenho um plano para chegar lá. Com o tempo, vou fazendo pequenas acções para me ajudar nesse sentido e sei que um dia vou viver com o essencial, que é o maior luxo que se pode ter hoje em dia.

Essa transformação de desenvolvimento pessoal, de reflexões sobre a vida, de viver mais com menos, não aconteceu do dia para a noite. Fui simplesmente conhecendo mais, lendo mais, pensando mais e vivendo mais sem estar agarrada ao Facebook, sem me preocupar com a moda das coisas, sem me preocupar em ir aos sítios in e ter as experiências do momento. Em vez de fazer o meu dia com coisas e compras, decidi construir o meu dia com pensamentos, conhecimento, conversas e experiências. Um contacto real, uma energia própria que tento transparecer sempre que escrevo. E isso reflecte-se no Erre Grande.

O meu verdadeiro propósito é ter um espaço positivo na blogsfera, ser um espaço de energia positiva e de discussão de temas importantes para o sucesso profissional e pessoal das pessoas. E o minimalismo surge como uma parte neste blogue, porque acho que é uma mensagem extremamente positiva para passar às pessoas: de que a vida é só uma e que ela deve ter um significado, e que não são as coisas que nos vão dar o sorriso nos lábios e a satisfação de viver no final do dia. E é isso mesmo que o Joshua e o Ryan me passam de cada vez que os oiço e leio o que escrevem: eles é que estão a viver a vida que eu, um dia, sei que vou ter. E agradeço muito ao mundo por me ter dado a conhecer as suas vidas inspiradoras e super motivadoras.

Para acabar, o A.J. Leon transmite bem a minha mensagem e do Erre Grande também: quando acordamos para a vida e decidimos a vivê-la como queremos, tudo muda e mesmo que no início não pareça, viver uma vida segundo os nossos valores é uma vida tão mais feliz.

 

  • Não conhecia o site mas adorei a partilha, já que também eu sou uma fã incondicional de coisas simples, despojadas e sem grandes artifícios 🙂

  • Desde que os conheci que me tornei fã deles e deste estilo de vida. Já não faz sentido de outra maneira! Aconselho-te a veres o documentário porque é realmente muito útil. Espero nos próximos meses comprar o livro deles 🙂