Procurem trabalho não emprego

Lembro-me perfeitamente de discutir isto com um colega na faculdade, a diferença entre trabalho e emprego.

Disse-lhe que todas as pessoas tinham um emprego mas que deviam era procurar um trabalho.

Para mim um emprego era como se fosse uma obrigação, aquela ideia socialmente aceite de que de segunda à sexta-feira acordamos às sete da manhã para ir para um escritório e ficar lá das nove às seis da tarde, à frente do computador a despachar coisas.

É o sonho de qualquer pessoa, o objetivo da nossa existência humana: estudar e arranjar um emprego.
Contudo, nestes últimos anos de transformação do mercado de trabalho, a concepção de emprego mudou muito e cada vez mais as pessoas procuram um trabalho. Um trabalho já é uma ocupação. Já parece um discate, uma coisa não muito a sério e que dá para ocupar o tempo. Um freelancer não tem um emprego, mas sim um ou vários trabalhos; quem trabalha por turnos em lojas não tem um emprego, mas sim o trabalho de arrumar a loja.
Para mim, esta diferença era quase óbvia mas ainda não sabia muito bem como a explicar.
Até encontrar este artigo no Dinheiro Vivo, da Harvard Business Review e tudo fez sentido.
É este artigo que explica porque é que ir para a faculdade e tirar um curso já não é um passaporte para uma vida de sucesso profissional. É a prova de que tirar um MBA não nos coloca directamente nos cargos de topo das grandes empresas.
Tal como refere o artigo, as empresas não querem ter uma pessoa das 9h às 18h, mas sim alguém que lhes faça o trabalho. Não é preciso alguém que passe a vida no escritório a dizer: olha vou estar aqui 8 horas por isso dêem-me trabalho para fazer. Cada vez mais as empresas preferem subcontratar pessoas que são especialistas em determinada tarefa e que vão trabalhar para deixar o projeto pronto e não simplesmente ficar no escritório.
Cada vez mais leio que o trabalho é uma sucessão de tarefas diárias. E quantas dessas tarefas diárias não poderiam ser feitas à frente de um computador em minha casa ou num café? Tudo de que precisamos é de um computador, Wi-Fi e um telefone (e isso pode ser por email ou Skype até). Com a flexibilidade de horários, é tão mais simples uma pessoa despachar trabalho a qualquer hora em qualquer parte do mundo. Não poderia eu mandar e-mails de apresentação às dez da noite e ficar a dormir um bocado de manhã? Não poderia eu criar conteúdos à uma da manhã e enviar ao cliente e tirar o dia seguinte para ir passear?
O mundo está a mudar e há cada vez mais empresas que estão a acompanhar essa mudança. A profissionalização das pessoas é crescente e por isso o desenvolvimento da carreira acaba por passar por outros benefícios que não salariais, como flexibilidade de horários, benefícios que completam o equilíbrio entre vida profissional e vida pessoal.
As empresas que se apercebem destas mudanças vão ter colaboradores mais motivados e consequentemente mais empenhados, que se iram traduzir diretamente nos resultados das empresas. Aquelas que demorarem a adaptar-se a estas mudanças vão desaparecer rapidamente, porque a mudança já está a acontecer e é inevitável – é adaptar-se ou não ter lugar no mercado.
Os empregos para a vida deixaram de existir – mas trabalho haverá sempre e é aí que nos temos de concentrar: num trabalho empenhado, profissional e que possa ser feito de acordo com os interesses da empresa e também do trabalhador. É nesta simbiose que está o sucesso das empresa e das carreiras profissionais. Por isso, haja sempre trabalho e que os empregos sejam nossos e não das empresas.
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