Os sacríficos omissos do empreendedorismo

Aqui no Erre escrevemos muito sobre sucesso, empreendedorismo e desenvolvimento pessoal, como forma de motivar outros a procurarem sentirem-se melhores consigo mesmos e também a dar-lhes ferramentas necessárias para seguirem o seu próprio caminho e definirem o seu sucesso.
Mesmo com textos originais e baseados em ideias, também podemos publicar textos de outros autores que nos inspiram a escrever mais e melhor.
Já tenho lido bastantes artigos escritos pelo Murillo e não podia concordar mais com a sua visão sobre o empreendedorismo e os desafios que um empreendedor enfrenta mas que são embelezados pela cultura de sonho empreendedor que temos vindo a assistir nos últimos anos.
Tal como Murillo explica, parece que nos últimos anos o empreendedorismo é a solução para todos os problemas que encontramos no mercado de trabalho. Se acha que recebe pouco, então tenha o seu próprio negócio e tenha o salário que sempre quis. Se detesta o seu chefe, então torne-se no seu próprio chefe. Se não consegue trabalhar com outros colegas, faça uma empresa com os seus amigos. Se não gosta de trabalhar à frente de uma secretária das 9 às 6, tenha o seu negócio e trabalho quando quiser e onde quiser. Ou seja, se está completamente insatisfeito com a sua vida profissional então a solução é ser empreendedor.
Contudo, o que muitos se esquecem é que ser empreendedor não é simplesmente despedir-se do seu emprego, criar o seu negócio e ser o seu próprio chefe.
Não.
Há uma parte do sonho do emprendedor que não está a ser vendido tantas vezes quanto o sonho em si. Há uma parte de sacrifício que muitos desconhecem e outros ignoram, porque os sonhos são para ser fáceis. Tal como diz Murillo:
Existe uma falsa sensação de que quem opta pelo caminho de ser seu próprio patrão tem mais tempo livre, menos cobrança e mais liberdade. Será que realmente todos estão preparados para assumir a imensa responsabilidade de ser o gestor de suas tarefas e do seu tempo hábil de produtividade?
No início nós somos tudo: o vendedor, o marketer, o contabilista, o chefe de facturação, a recepcionista, o director de produção. Quando trabalhamos com outras pessoas, estamos responsáveis por um conjunto de funções e o resto é tratado por outras pessoas. Imagine que um cliente tem um problema com a facturação mas você é do departamento de Marketing, como resolve o problema? Simples, reencaminha o email para a facturação e eles que tratem do assunto. Mas e se você for o dono da sua empresa e o único funcionário da mesma? A quem é que vai enviar o email a tratar desses assuntos?
É esta perspectiva do empreendedor que fica muitas vezes omissa quando falamos das vidas dos multimilionários que construiram a sua vida através de uma ideia. Esses multimilionários tiveram de fazer muitos sacrifícios para chegar onde chegaram: ouviram muitos nãos, foram a muitas reuniões, ficaram muitas noites sem dormir enquanto trabalhavam a full time no trabalho normal, falharam muitas festas de aniversário, batizados e almoços de família, estiveram a trabalhar enquanto a família almoçava com os amigos num restaurante perto de casa. E muitos de nós não estamos dispostos a aguentar todos esses momentos duros para ultrapassarmos essa fase inicial e depois colhermos alguns frutos.
O incentivo ao empreendedorismo que temos visto nos últimos anos é positivo, pois tem motivado várias pessoas a concretizarem grandes ideias que, sem essa determinação, teriam ficado numa gaveta esquecidas. Ainda assim, é preciso fazer mais. É preciso tratar o empreendedorismo com paixão, é certo, mas também com realismo e de forma transparente, mostrando todas as suas vantagens mas também os desafios que esta “profissão” carrega.
Concluindo, para mim, o empreendedorismo faz sentido mas não é para todos. E o Murillo conclui também assim o seu texto:
Ser empreendedor é maravilhoso, mas não pense que criar um produto e vendê-lo fará da sua vida mais tranquila e calma. Ser empreendedor só faz mais sentido quando se é plenamente dedicado as atividades, mantendo a qualidade, o foco e a dedicação, mas também é colher tudo que plantou. E até para colher frutos, exige-se muito trabalho não é?
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